Governo quer reforçar Cuidados Continuados Integrados no domicílio

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse hoje em Alfena, concelho de Valongo, que pretende reforçar as equipas que prestam cuidados continuados integrados (CCI), no domicílio, "dentro das possibilidades" atuais do país.

"Queremos de facto aumentar o número de enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, mas é um trabalho que tem de ser feito de forma equilibrada e sustentada", disse o ministro, que durante a manhã acompanhou visitas domiciliárias de uma equipa CCI do Agrupamento de Centros de Saúde Maia/Valongo.

Nesta deslocação, a convite do bastonário dos enfermeiros, Paulo Macedo disse à Lusa ter tido a oportunidade de conhecer no terreno esta realidade, que integra "uma rede com uma extensão apreciável".

"Temos de perceber que, quando falamos de investimentos em saúde, não estamos só a falar de hospitais, paredes ou medicamentos. Há toda uma realidade de pessoas concretas que podem e precisam de ser tratadas duma maneira próxima, acompanhada, estando ao mesmo tempo com a sua família, no seu ambiente", disse.

Paulo Macedo admitiu que estes cuidados possam também representar poupança, porque, "ao estar em casa, não estão a ocupar uma cama de agudos", mas salientou que a aposta neste tipo de cuidados "não é tanto a questão da poupança, mas por ser o tratamento e a assistência mais adequada a estes doentes, a quem o hospital pouco ou nada poderia acrescentar".

O ministro referia-se ao caso de Maria Fernanda, de 74 anos, que sofre de esclerose lateral amiotrófica, uma doença "galopante e fatal", como explicou a filha, ao cuidado de quem se encontra esta doente que, desde o verão, beneficia de cuidados continuados integrados.

Com a doença diagnosticada em novembro de 2010, atualmente Maria Fernanda pouco mais pode mexer do que os olhos e a boca, mas hoje fez questão de cumprimentar e trocar algumas palavras com o ministro da Saúde.

À pergunta do ministro "Como se sente?", Maria Fernanda respondeu "Melhor não podia ser. Adoro os enfermeiros".

Nas declarações que prestou à Lusa, Paulo Macedo acrescentou: "Ainda estamos a tentar perceber como é que vamos responder a estas questões, que são crescentes. A média de idades dos doentes a necessitar destes cuidados é de 74 anos, sabemos que temos cada vez mais idosos porque a esperança de vida aumenta, e vamos ter de lhe dar assistência e de criar as condições para isso".

"Neste momento, a nossa prioridade é consolidar o que temos, termos a certeza que estas equipas não regridem por falta de profissionais", frisou.

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, congratulou-se por ter lançado este "desafio" ao ministro da tutela, considerando que "certamente, [Paulo Macedo] irá utilizar a informação que hoje recolheu no terreno, para melhor gerir o Ministério da Saúde, que é um dos piores ministérios, como sabemos, em termos de gestão, neste momento de crise no país".

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