Governo quer integrar refugiados no trabalho sazonal

Desde o Alentejo a Trás-os-Montes, estão em marcha parcerias com autarcas e empresários para integrar famílias refugiadas.

O Governo português está a preparar a integração de famílias refugiadas em diversas zonas do país ao nível do trabalho sazonal. No final de uma visita ao Centro de Acolhimento a Refugiados de Penela, onde vivem cinco famílias da Síria e do Sudão, o ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, anunciou a intenção de "substituir gradualmente essa sazonalidade - em que cada ano vêm pessoas de uma nacionalidade diferente - pela inclusão e fixação de famílias nas zonas em que há carência de mão de obra, de baixa densidade população".

Eduardo Cabrita revelou que está em marcha um conjunto de ações "que estão a ser estudadas com autarcas e empresários, para identificar zonas piloto" onde será possível implementar esses projetos. Odemira, no sul, e vários municípios da zona oeste, região centro, Beira Interior e Trás os Montes, fazem parte dos cerca de 100 municípios que se manifestaram já disponíveis para acolher cidadãos refugiados.

"Portugal tem compromisso de acolher 4700 a partir da Itália e da Grécia. A chegada depende do registo que tem de ser feito nesses países, mas deverão chegar alguns ainda em fevereiro", disse o ministro, quando questionado pelo DN a propósito do número de refugiados que Portugal se prepara para receber a breve prazo. A esse processo juntam-se outros de cooperação direta com as autoridades turcas, para os quais o Governo conta com o apoio de diversos parceiros, entre as autarquias e sociedade civil.

Por outro lado, está já feito o levantamento ao nível das instituições de ensino superior, que vão permitir "passar de 150 para 2000 estudantes, com alojamento e aulas de português e inglês", garantiu o ministro, numa altura em que está igualmente a ser feito "um levantamento a nível nacional com as escolas profissionais, que permitirá acolher numa primeira fase perto de mil estudantes".

"É preciso dar sinais de que podemos ser um país solidário mesmo em tempo de dificuldades", sublinhou Eduardo Cabrita, à hora em que o primeiro-ministro, António Costa, almoçava com a chanceler Angela Merkel, e lhe manifestava a abertura de Portugal para esse desígnio europeu. "Para nós é a mesma Europa: a dos investimentos e da criação de emprego, como a Europa do respeito dos compromissos na área do euro - que o orçamento deverá respeitar - como é também esta Europa da solidariedade, em que estaremos ao lado de países como a Alemanha, a Áustria ou a Suécia no acolhimento a quem fugiu da guerra nos seus países de origem", disse Eduardo Cabrita.

"Podemos ir mais além neste esforço de integração", garantiu.

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