Governo já está reunido. E cidadãos já preparam perguntas a ministros

Conselho de Ministros extraordinário celebra dois anos de governo. À tarde, membros do executivo socialista responderão às perguntas de um painel de 50 cidadãos

Depois dos ministros terem chegado ao campus universitário de Santiago, em Aveiro desde as 10.20 - o primeiro-ministro, António Costa, foi o último a chegar, às 10.59 - o Governo já está reunido, no edifício da Reitoria da Universidade, num Conselho de Ministros extraordinário, que celebra dois anos de governo. É essa a hashtag inscrita no painel de uma sala do mesmo edifício, onde este domingo à tarde os membros do executivo socialista responderão às perguntas de um painel de 50 cidadãos.

Esta iniciativa já causou polémica, com PSD e CDS a pedirem para o Governo parar com o que apelidaram de "propaganda". O executivo socialista defende-se afirmando que esta é uma ação prevista no seu programa. De facto, na página 43 desse programa, no ponto dedicado a "reforçar os mecanismos de participação cívica, defesa dos direitos fundamentais e escrutínio das instituições públicas", estabelece-se que será feita uma "avaliação anual do cumprimento das promessas presentes no programa de governo, com a participação de um grupo de cidadãos escolhidos aleatoriamente de entre eleitores que se pré-inscrevam".

Num outro edifício do campus universitário de Santiago estão também reunidos os 50 cidadãos, a preparar a sessão de perguntas aos ministros e chefe de governo, numa iniciativa que está a ser coordenada pelo professor e politólogo da Universidade de Aveiro, Carlos Jalali.

A Universidade de Aveiro contratou uma empresa de estudos de mercado e sondagens, a Aximage, para a composição do painel destes cidadãos. A amostra é representativa de todo o país, conforme sublinhou fonte do executivo, mas o Governo desconhece a sua composição e que perguntas serão feitas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.