Expansão dos metros de Lisboa e do Porto arranca até junho de 2019

Ministro do Ambiente revelou que existem 200 milhões de euros disponíveis para os dois projetos

As obras de expansão dos metropolitanos de Lisboa e do Porto vão começar até junho de 2019, com 200 milhões de euros disponíveis para estes projetos e para a Transtejo e a Soflusa, revelou esta quarta-feira o ministro do Ambiente.

"No mês de março entrará a avaliação de impacto ambiental para a expansão de rede de metro de Lisboa na Agência Portuguesa do Ambiente (APA)", avançou João Matos Fernandes no âmbito de uma audição na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas.

Sobre a expansão do Metro do Porto, o governante referiu que os projetos de execução estão em curso.

Neste sentido, "sem a mais pequena dúvida", o tutelar da pasta dos transportes assegurou que, "o mais tardar, no final do primeiro semestre do próximo ano, as obras já estarão no terreno".

"Este foi sempre o calendário desde o princípio, ajustado ao calendário da própria reprogramação dos fundos que libertará 200 milhões de euros para estes projetos e para o projeto de reabilitação de navios na Transtejo e na Soflusa", declarou João Matos Fernandes, explicando que esta verba está disponível através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

Inaugurado a 29 de dezembro de 1959, o Metro de Lisboa começou a operar com uma linha em Y e com 11 estações. Atualmente, existem quatro linhas e 56 estações.

De acordo com o Plano de Desenvolvimento Operacional da Rede do Metropolitano de Lisboa, apresentado em maio, o Metro de Lisboa vai ter mais duas estações - Estrela e Santos - até 2022, estando previstas também estações nas Amoreiras e em Campo de Ourique, embora nestes dois casos sem uma data prevista de conclusão.

Oficialmente inaugurado a 7 de dezembro de 2002, o Metro do Porto abriu portas aos passageiros no dia 1 de janeiro do ano seguinte, com o início da operação da Linha Azul, entre a Trindade (Porto) e a Senhora da Hora (Matosinhos).

Atualmente o Metro do Porto conta com seis linhas e 82 estações, numa extensão total de 67 quilómetros. A extensão da rede prevê uma ligação entre São Bento e a Casa da Música (Linha Rosa) e o prolongamento da Linha Amarela até Vila D'Este (Vila Nova de Gaia), num investimento de cerca de 4,7 milhões de euros.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.