Governo defende que cidades não podem continuar a ser desenhadas a pensar nos carros

João Pedro Matos Fernandes sublinhou a importância de as cidades serem pensadas em função das pessoas

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, defendeu hoje que as cidades não podem continuar a ser desenhadas a pensar nos automóveis, que acabam por estar parados cerca de 92% do tempo.

"Temos, de uma vez por todas, que perceber que o que precisamos é de serviços de mobilidade e não de automóveis. Os carros de cada um de nós estão parados 92% do tempo e, por isso, não podemos continuar a desenhar as cidades e os centros urbanos a pensar no automóvel como rei", sustentou.

Durante a inauguração da Ecopista de S. Pedro do Sul, que decorreu esta manhã, João Pedro Matos Fernandes sublinhou a importância de as cidades serem pensadas em função das pessoas. "Os reis e as rainhas somos nós e a forma como escolhemos nos apropriar do território", acrescentou.

Na sua intervenção, o representante do Governo aproveitou para se congratular com a construção da Ecopista de S. Pedro do Sul, cujo investimento rondou os 300 mil euros, por se tratar de uma obra fundamental para atrair gente e criar bem-estar.

"Estes projetos terão de evoluir, para deixar de ter apenas uma utilização turística ou uma utilização de desporto e lazer, para passar a ter utilização quotidiana", apontou.

Aos jornalistas, o ministro do Ambiente referiu que as autarquias desenham, cada vez mais, as cidades e os centros urbanos configurados para a mobilidade e para a promoção do transporte coletivo.

"A maior parte das deslocações, de casa para o trabalho e de casa para a escola, em cerca de 90%, são na mesma freguesia, com seis quilómetros de distância. E não faz sentido continuarmos a usar continuadamente o automóvel nestas situações", alegou.

No seu entender, o futuro próximo passa pelas deslocações a pé, de bicicleta ou em transportes coletivos, destacando ainda que o Governo vem fazendo "um esforço muito grande" ao nível da mobilidade elétrica.

"A vida que cada um de nós tem nem sempre é compatível com a oferta de transportes que têm horários fixos, por isso tem de haver sempre estas formas de mobilidade individual. A mobilidade elétrica é fundamental e se ela for partilhada melhor ainda", explicou.

O ministro do Ambiente participou ainda na colocação da primeira pedra da obra de construção da ETAR Intermunicipal de Valgode, orçada em cerca de quatro milhões de euros e que irá servir os concelhos de S. Pedro do Sul e Vouzela.

"Portugal ainda tem um longo caminho para percorrer nas questões de acessibilidade, enquanto nesta área do saneamento básico Portugal já percorreu uma parte expressiva desse caminho. Ainda há coisas por acabar e esta ETAR é uma das que estava em falta, mas está longe de ser a única em falta no país", concluiu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.