Governo diz que programa para vigiar SIRESP não funciona em tempo real

"Software" para monitorizar cobertura da rede não terá sido usado nos incêndios de Pedrógão nem nos de 15 de outubro. MAI garante que programa não serve para gerir necessidades no terreno

Em maio de 2015, ainda com o anterior Governo em funções, foi comprado à Motorola um software por 200 mil euros: o Traces tinha como objetivo monitorizar, alegadamente em tempo real, a cobertura da rede SIRESP, facilitando a obtenção de dados que auxiliassem na tomada de decisões operacionais no combate aos incêndios, nomeadamente na localização dos postos de comando.

Mas, segundo avança hoje o jornal Público, este software para vigiar o SIRESP nunca foi usado, mesmo que a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) tenha pedido ao Ministério da Administração Interna, já em agosto de 2017, que lhe fosse permitido usar este programa. De acordo com o jornal, no final de 2015, ano em que o software foi adquirido para ser usado pela Proteção Civil, foram entregues duas licenças de utilização: uma para a ANPC, outra para a Secretaria-Geral da Administração Interna. Contudo, ambas as licenças ficaram na Administração Interna.

A 11 de agosto, num ofício assinado pelo então presidente da ANPC, Joaquim Leitão, solicitava-se que "as licenças de cliente Traces" fossem entregues ao proprietário, a Proteção Civil, "para melhor monitorização e resposta do sistema" SIRESP. Mas este ofício, escreve o Público, nunca foi aceite pelo à data secretário de Estado da Administração Interna e, portanto, o software nunca foi utilizado, confirmou ao jornal a ANPC, nem nos incêndios de Pedrógão nem nos de 15 de outubro.

Porém, em comunicado, o Ministério da Administração Interna veio esta terça-feira informar que o software Traces "é utilizado pela Secretaria Geral da Administração Interna, a entidade pública responsável pela gestão da rede SIRESP. Este software destina-se ao planeamento de médio prazo e não de curto prazo ou em tempo real, pelo que não se destina a gerir as necessidades operacionais de meios em teatros de operações", refere a mesma nota.

"Esta aplicação permite produzir melhores mapas de cobertura, a partir da informação real do terreno e sinalizar zonas com necessidade de atuação no planeamento rádio pela operadora. A aplicação não dá informação em tempo real de ocupação da rede e não permite a gestão de grupos de conversação em uso em teatros de operação de fogos florestais", conclui o comunicado do Governo

[Notícia atualizada às 12:55 com informação sobre comunicado do MAI]

Ler mais

Exclusivos