Governo a cumprir tudo o que prometeu ou "esgotado" e sem estratégia para o país?

António Costa teve de lidar com algumas crises complicadas durante este segundo ano de mandato, como a dos incêndios

Costa e os seus ministros reúnem hoje em Aveiro. PSD e CDS pedem cancelamento de iniciativa lateral com perguntas de cidadãos

O governo, liderado por António Costa, celebra hoje dois anos de mandato em Aveiro. Um Conselho de Ministros de reflexão política, ou talvez um toca a reunir depois de semanas de casos polémicos, mas que deverá apontar algumas metas para o futuro. Também uma reunião rodeada de polémica, com o PSD e o CDS a exigirem o cancelamento de uma iniciativa lateral, uma sessão de perguntas com um painel de cidadãos, depois de se saber, pelo semanário Sol, que os participantes foram pagos. O executivo mantém a iniciativa na agenda, dizendo que estes cidadãos foram mobilizados por uma empresa de sondagens, a Aximage, como painel de um estudo de avaliação do governo, encomendado pelo executivo à Universidade de Aveiro. Por isso, aliás, desconhece a identidade das pessoas escolhidas e que perguntas farão.

À esquerda, os dois próximos anos são vistos como um desafio à consolidação dos ganhos do crescimento económico, à direita é um ciclo em que as contradições entre o PS e os partidos que apoiam o governo, PCP e BE, se tornarão mais evidentes. Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, garante ao DN que os próximos dois anos são os da consolidação das contas públicas, de crescimento económico, de criação de mais emprego e da estabilidade política e das famílias. "O desafio é no pós-quadro comunitário 2020 conseguir que os fundos comunitários ajudem a alavancar a economia", afirma. A também deputada socialista afirma que o governo tem uma agenda bem definida para canalizar esses fundos para a educação e inovação, sobretudo do tecido económico. "O maior desafio é chegar ao final da legislatura com o programa de governo completamente cumprido, porque só assim conseguiremos manter a credibilidade."

O antigo líder do Bloco de Esquerda Francisco Louçã não antevê grandes dificuldades orçamentais em 2018, mas admite que o cenário internacional é imprevisível. Diz que o governo só provocou tensões com PCP e BE quando "improvisou" e afirma que "há um vazio de poder à direita" que beneficia o executivo: "A única oposição com que o governo negoceia e tem medo são as associações patronais." A própria UE tem e terá, por razões internas e do "sucesso da política" portuguesa, "muito cuidado" a lidar com o país, diz.

Dos desafios que o governo terá de enfrentar, Francisco Louçã destaca a capacidade de se reorganizar, depois do "desgaste" sofrido e dos erros cometidos. Cita os incêndios e a polémica do Infarmed, mas também o caso do Panteão Nacional. "O nervosismo por causa do Panteão Nacional, que tem valor simbólico e vagamente ridículo, em que foi o primeiro-ministro a reagir, revelou que há tensão e medo das redes sociais e da comunicação social." Portanto, "o governo está mal organizado e responde à gestão do dia-a-dia". Uma eventual remodelação "algum dia terá de acontecer". Para Louçã, as questões sociais são as que vão marcar a segunda metade da legislatura. Questões como o regime contributivo para a Segurança Social, contratação coletiva, Serviço Nacional de Saúde, entre outras.

As vozes mais à direita falam de um "governo esgotado". O deputado do PSD Miguel Morgado afirma que estes dois anos vão mostrar ainda mais que "não há uma estratégia para o país", apesar de todo o contexto económico favorável, inédito em 15 anos. "É um mal original deste governo, a ideia de consolidar o seu poder com um discurso e medidas que colhem popularidade", em parte alicerçadas na reversão do que o anterior governo fez.

Já o vice-presidente do CDS Adolfo Mesquita Nunes afirma que nestes primeiros anos de mandato o executivo apostou na reposição de rendimentos e cortou nos serviços públicos, "o que tem um efeito mais difuso no tempo". Hoje, diz, "é evidente essa realidade e vai ser ainda mais no futuro", por pressão do BE e do PCP, o que "reforça a razão da oposição". "A governação socialista vai parecer-se com a de José Sócrates, dar tudo a todos, sem olhar ao futuro".

As relações do governo com o Presidente da República vão ainda marcar o clima político até 2019. Para Adolfo Mesquita Nunes, Marcelo Rebelo de Sousa tem tido e vai manter "um papel constante", o de emitir um juízo final sobre a governação do país. Francisco Louçã diz que as eventuais tensões que venham a acontecer derivam do "excesso de atuação governista" de Marcelo. Ana Catarina Mendes apenas vislumbra que Belém e São Bento se vão continuar a "respeitar" e "apoiar" institucionalmente.

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