Geringonça com resultados "muy buenos" para os portugueses

Marcelo Rebelo de Sousa tenta vender o melhor que pode a imagem de Portugal em Espanha. Elogios à geringonça não faltam

Existem "tensões", é certo, mas isso é "próprio da democracia". O facto é que, para o Presidente da República, a solução política que governa Portugal tem conseguido "equilibrar a redução do défice com preocupações de justiça social".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, que falava (em castelhano) numa conferência com estudantes na Universidade Carlos III em Madrid, o "equilíbrio difícil" na governação nacional tem sido "um exemplo de vivência e maturidade democrática" e os resultados têm sido "buenos para Portugal e muy buenos para os portugueses".

Ou seja, "é possível na Europa ter diferentes vias para a construção" de uma situação de "equilíbrio financeiro e económico", "umas à direita, outras à direita", e Portugal "tenta essa via de equilíbrio e até agora, até agora, com bons resultados"

O PR aproveitou a oportunidade para se voltar a apresentar como um "otimista realista", estabelecendo - como já fez inúmeras vezes - um contraste com o primeiro-ministro António Costa, um "otimista radical". "Se não está a chover ele diz 'está um dia maravilhoso'. Eu digo 'depende'..." E antes já se tinha afirmado um homem de "esperança" no futuro (da UE, no caso), vestindo a pele de professor: "Um professor sem esperança não é um bom professor".

Dirigindo-se à sua audiência juvenil como "queridos estudantes", depois dos cumprimentos protocolares às autoridades oficiais, o Presidente da República tinha como tema para a sua conferência as relações entre Portugal, Espanha, a UE e a América Latina.

Admitindo problemas na Europa como os do "populismo, xenofobia e nacionalismo", disse que a solução para estes problemas - que admitiu "difíceis" - "não passa por [construir] muros reais ou imaginários mas antes pela construção de pontes". Portanto, "multilateralismo, democracia e força do Direito". E, acrescentaria depois, "lideranças fortes baseadas no Estado de Direito" - porque só assim "não se perderão as oportunidades"

Questionado sobre as políticas europeias para os refugiados, diria que "a Europa só ganha com as migrações". É claro, afirmou também, "que se podem discutir limites demográficos" ao acolhimento, mas o essencial é que a Europa perceba que "não há europeus puros". Dito de outra forma: A rejeição de migrantes é "a negação da democracia" e isto - salientou ainda - é uma consideração "unânime em Portugal" que vai "da direita à extrema-esquerda". Quanto à extrema-direita "não há", em Portugal.

O dia desta primeira visita de Estado do Presidente português a Espanha começou a ser recebido pelo seu homólogo, Filipe VI no Palácio Real, em Madrid. Depois colocou uma coroa de flores no monumento madrileno aos Caídos de Espanha - momento perturbado por uma manifestação de pensionistas contra o Governo espanhol. Voltou a encontrar-se com Felipe VI e sua mulher, Letízia, para o almoço, no Palácio da Zarzuela (residência oficial da família real espanhola, nos arredores de Madrid), seguindo depois para a conferência na Universidade Carlos III. O dia oficial de Marcelo acabará com um jantar de gala oferecido pelo seu homólogo espanhol no Palácio Real.

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