General sonha em ter Memorial do Combatente no roteiro turístico de Lisboa

Presidente da Liga dos Combatentes diz que monumento está entre os que, em 200 metros, marcam o início e o fim do Império

O Memorial do Combatente "merece ser integrado no circuito turístico de Lisboa", porque valoriza os "500 anos de história existentes nos 200 metros" que separam a Torre de Belém do Monumento aos Combatentes.

A convicção é expressa ao DN pelo presidente da Liga dos Combatentes, general Chito Rodrigues, após contar como surgiu a ideia de criar aquele monumento numa sala por onde passa o corredor descoberto há poucos meses dentro do Forte do Bom Sucesso - entre a Torre de Belém (século XVI) e o Monumento aos Combatentes (século XX).

"Em 200 metros estão 500 anos de história, do início do Império ao seu fim", insiste Chito Rodrigues, que lamenta a pouca importância dada em Portugal aos mortos em combate - algo comum lá fora e cuja maior expressão reside em Inglaterra, onde se colocam papoilas vermelhas na lapela para assinalar o Dia do Armistício (11 de novembro de 1918), também conhecido como Dia da Memória ou Dia da Papoila.

O corredor do forte construído no século XVIII, que termina junto ao rio Tejo, surgiu durante as obras de alargamento de um espaço - para aí instalar uma capela - por trás do Monumento aos Combatentes do Ultramar e no meio das lápides onde estão inscritos os nomes dos quase 10 mil soldados portugueses mortos na guerra, conta Chito Rodrigues.

Memorial do Combatente, com o Cristo de Verdun ao fundo

A sala então descoberta foi transformada no Memorial do Combatente: além do túmulo com os restos mortais de um soldado desconhecido morto durante a guerra colonial na Guiné, ali estão um Cristo de Verdun (um dos mais mortíferos campos de batalha da I Guerra Mundial) oferecido na década de 1930 por um capitão francês e uma imagem do Cristo das Trincheiras (sem pernas e sem uma mão).

Outro pormenor marcante é o recitar contínuo dos nomes de cada um dos militares cujo nome está inscrito nas pedras tumulares do Monumento aos Combatentes, onde já constam os dos mortos nas recentes missões de paz e faz daquele espaço "um local que dá profundidade ao sentimento" de pesar dos visitantes, destaca o presidente da Liga dos Combatentes.

Com cerca de 66 mil associados e 112 núcleos espalhados pelo país, quase o dobro dos 64 que havia há 12 anos, o general Chito Rodrigues garante que a Liga dos Combatentes - criada com a Grande Guerra - "já é uma instituição de futuro" quando metade das suas delegações "são dirigidas" por quem participou nas chamadas missões de paz e humanitárias das últimas três décadas.

O crescimento do número de sócios é outro indicador, feito o balanço entre o meio milhar que morre anualmente e os 2500 a 3000 que têm aderido no mesmo período. Acresce, sublinha Chito Rodrigues, que a Liga também "cria postos de trabalho" ao abrir recentemente lares de apoio aos combatentes no Porto (23 funcionários) e Estremoz (30).

Uma dificuldade recorrente é a do financiamento da Liga, que "não tem receitas próprias" para além das quotas dos associados - que passam agora dos 18 para os 20 euros anuais - e dos apoios (públicos e privados) que obtém, lembra o seu presidente.

Certo é que a defesa dos combatentes e a promoção da Liga dá uma certeza ao general Chito Rodrigues, há 13 anos à frente da instituição e após lidar com ministros da Defesa do PSD, CDS e PS: "Se vier um [que seja] do PCP também não tem problema nenhum."

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