Futuro da geringonça mete-se na campanha das autárquicas

Jerónimo avisou que atual solução parlamentar foi "conjuntural" e "dificilmente se repetirá". Caravanas já estão na estrada mas os temas continuam centrados no orçamento

A menos de uma semana do arranque oficial da campanha para as eleições autárquicas de 1 de outubro, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, olhou para a frente, posicionando-se no terreno sobre a geringonça. Para, aparentemente, tirar já o tapete a esta solução.

"O PCP vai para o Governo quando o povo português o entender. Naturalmente, esta nova solução política encontrada foi conjuntural e dificilmente se repetirá", apontou ontem Jerónimo de Sousa. A seu lado estava a cabeça de lista da CDU a Oeiras e líder parlamentar dos "Verdes", Heloísa Apolónia, outra das partes da geringonça, a solução parlamentar que a esquerda (BE, PCP e PEV) encontrou para apoiar o Governo socialista.

Com a discussão do Orçamento do Estado (OE) para 2018 como pano de fundo, não estranha que o líder comunista apresente uma fatura mais alta. "Aquilo que dizemos é que estamos em condições de assumir soluções governativas para realizar uma política diferente, patriótica e de esquerda, que não é o caso daquela que está a acontecer", disse, antes de insistir na necessidade de "mais votos" na CDU - para melhor pressionar o Governo no debate orçamental, como já tinha anunciado na Festa do Avante!, a 3 de setembro.

Hoje é António Costa que se reúne com o grupo parlamentar socialista para discutir o OE - que entra no Parlamento no rescaldo das autárquicas. Já há uma semana o líder do PS e primeiro-ministro esteve com a direção da bancada do partido para deixar um aviso à geringonça, dizendo que era preciso optar por um caminho de "progresso sustentável" e não poderia "dar um passo maior do que a perna".

A líder bloquista, Catarina Martins, respondeu que está cansada deste discurso restritivo e Jerónimo disse que os comunistas estão empenhados em "estimular as pernas" do Governo "para que possam continuar a dar passos em frente".

PS, PCP e BE vão discutindo as medidas que o Orçamento do Estado pode incluir, o que vai merecendo as críticas à direita. O presidente do PSD, Passos Coelho, apontou já o dedo ao "eleitoralismo" do executivo. E no domingo à noite deixou avisos sobre um diabo vestido de orçamento: os partidos que apoiam o Governo acham que "isto está excecionalmente bom" e "temos já muitas folgas, começam a pedir muitas coisas, cada vez estão a elevar mais as expectativas, cada vez o leilão orçamental se intensifica", atirou.

Também Assunção Cristas tem usado o palco das autárquicas para um discurso nacional: a presidente centrista atacou o Governo na gestão da tragédia de Pedrógão Grande e o furto de Tancos. E Assunção fez propostas para o OE, ao defender a redução de impostos em todos os escalões do IRS.

Costa ao fim de semana e noites

Política nacional à parte, os principais partidos já têm a máquina na estrada, mas os seus líderes têm ritmos desencontrados nestas semanas que faltam. O líder do PS, António Costa, só entra na campanha aos fins de semana e em algumas noites nos dias úteis, confirmou ao DN fonte oficial socialista.

No momento em que os líderes do PSD e do BE já estão em força na estrada, o secretário-geral do PCP arrancou ontem para uma volta diária pelo país. Só a presidente do CDS não tem ainda definida a sua participação para as próximas semanas: Assunção Cristas tem de se concentrar em Lisboa, onde é candidata à câmara, mas "não está ainda definido", como respondeu fonte oficial do CDS, como será com a campanha nos outros municípios nos quais os centristas apostam forte.

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