Funcionários da Segurança Social suspeitos de legalizar milhares de imigrantes

Polícia Judiciária deteve 12 pessoas. São suspeitos de receber dinheiro para emitir números de identificação para cidadãos do Paquistão, Índia e Bangladesh

A Unidade Nacional Contra a Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária deteve, esta terça-feira, 12 pessoas suspeitas de integrarem um esquema de corrupção na Segurança Social para a emissão de Números de Identificação (NISS) para cidadãos estrangeiros. Nos últimos anos, milhares de cidadãos da Índia, Bangladesh e Paquistão terão obtido desta forma um visto. Durante a manhã de hoje, os investigadores recolheram milhares de documentos em buscas, de forma a perceber se algum dos "legalizados" tem ligações a atividades terroristas.

De acordo com informações recolhidas pelo DN, os funcionários da Segurança Social são suspeitos de receber entre 200 e 300 euros por NISS emitido. O contacto era feito por um grupo de angariadores de imigrantes, que também cobrariam uma comissão aos interessados. Com o NISS na mão, os imigrantes poderiam dirigir-se ao SEF, pedindo a emissão de um visto de trabalho, o que lhes dava automaticamente acesso a todo o espaço europeu.

Este processo corre no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. Esta terça-feira, a UNCC colocou 130 inspetores no terreno para buscas e detenções.

Em comunicado, a PJ anunciou ?a detenção de 12 pessoas, entre as quais seis funcionários do Instituto da Segurança Social, por crimes de corrupção passiva e ativa para ato ilícito, abuso de poder, falsidade informática e falsificação de documentos.

"A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) e no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público (DIAP de Lisboa), deteve seis funcionários do Núcleo de Gestão do Cliente do Instituto da Segurança Social e seis cidadãos estrangeiros, oriundos de países do Sudoeste asiático", informam as autoridades em comunicado, dando conta da operação "Social Number".

De acordo com o comunicado da PJ, o "modus operandi" do crime consistia na manipulação do Sistema Informático da Segurança Social, por meio da criação e alteração de registos na base de dados, atribuindo números de identificação da segurança social fraudulentos a cidadãos estrangeiros mediante o recebimento de contrapartidas, em valores da ordem das centenas de milhares de euros.

No decurso da operação foram realizadas 48 buscas na área da Grande Lisboa, das quais 26 domiciliárias e 22 não domiciliárias. As buscas não domiciliárias foram realizadas a várias empresas e a instalações da Segurança Social, designadamente ao Centro Distrital da Segurança Social de Lisboa, tendo sido apreendidos documentos e material relacionado com a atividade criminosa em investigação e ainda mais de 50 000 euros em dinheiro.

Os detidos serão presentes a tribunal, para determinação das medidas de coação. A PJ informa que a investigação prossegue, para recolha de provas, e que a operação contou com a colaboração dos Serviços de Segurança Social.

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