FNE diz que alterações a cursos de professores deviam ser mais aprofundadas

A Federação Nacional da Educação (FNE) defendeu hoje que as alterações aos cursos de professores podiam ter ido mais longe, advertindo que os mestrados devem ser ministrados por quem tenha experiência do quotidiano nas escolas.

"Partilhamos as críticas do Conselho Nacional de Educação (CNE) relativamente à falta de fundamentação da proposta que foi apresentada e ainda porque nos parece que fica aquém daquilo que era necessário fazer", disse à agência Lusa o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.

"Sem deixar de ter em linha de conta que aquilo que é introduzido não merece observação negativa, falta-lhe a coerência e a congruência, com uma apreciação mais profunda daquilo que deve ser a formação inicial de professores", afirmou.

A FNE gostaria de ver a questão "mais aprofundada", nomeadamente ao nível da transição da licenciatura para o mestrado.

"O ciclo de mestrado (2.º ciclo) deve ser eminentemente prático, com a garantia de intervenção na condução desse ciclo de pessoas conhecedoras daquilo que é a realidade prática das escolas", declarou.

Para a FNE, dever ser obrigatório os mestrados serem lecionados por pessoas que tenham dado aulas nas escolas.

A estrutura sindical afirma ainda que o documento do Governo é "pouco claro" relativamente às condições que são atribuídas às escolas para prestarem apoio aos professores que vão estar em aulas observadas.

"Este trabalho de preparação de aulas para serem observadas por pessoas que estão em formação exige formações adequadas, exige tempo para a preparação, exige tempo para a avaliação, exige tempo para estudo e reflexão e isto não está vertido no diploma", criticou.

O Governo aprovou na quinta-feira novas regras para os cursos de professores e educadores, que terão ciclos de estudo mais longos e maior articulação entre a formação e a área que os candidatos vão ensinar, segundo o ministro da Educação.

"Há um aumento da duração dos mestrados em educação pré-escolar e em ensino do 1.º Ciclo do Básico de dois para três semestres, há um aumento do mestrado conjunto em educação pré-escolar e ensino do 1.º Ciclo de três para quatro semestres", disse Nuno Crato, ao definir as principais alterações, no final da reunião do Executivo.

O ministro citou igualmente a fixação em quatro semestres dos restantes mestrados, o desdobramento do mestrado em ensino do 1.º e 2.º Ciclo em duas áreas, separando a formação dos docentes (2.º Ciclo) de Português, História e Geografia dos de Matemática e Ciências Naturais.

A medida permite uma maior especialização dos docentes no 2.º Ciclo, defendeu o ministro.

Nuno Crato avançou também o desdobramento do mestrado em ensino de História e Geografia no 3.º Ciclo, ajustado às formações atuais, uma vez que História e Geografia têm neste momento licenciaturas separadas, justificou.

O ministro disse também que serão eliminados mestrados sem correspondência atual com os grupos de recrutamento, sem precisar quais.

O novo regime entrará em vigor no ano letivo 2015/16, pelo que as escolas "terão tempo" para se prepararem, indicou.

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