Financiamento. PS insinua que sem PSD não haverá alterações à lei

Marcelo vetou na terça-feira as alterações à lei do financiamento dos partidos políticos

Jorge Lacão, do PS, insinuou no debate parlamentar desta quinta-feira, sobre o novo regime do financiamento partidário, suscito pelo veto do Presidente da República, que dependerá de ter ou não o apoio do PSD para insistir nas medidas que suscitaram as reservas de Marcelo Rebelo de Sousa.

Respondendo ao líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, Lacão afirma que o PS "não descolará" do seu compromisso inicial: "procurar o máximo consenso possível" no Parlamento para alterar a lei. Ou seja: apesar de haver uma maioria de esquerda disponível para aprovar uma nova lei, o PS procurará ir mais longe, envolvendo o PSD. E isso - como aliás o PSD insistiu - depende do líder que entre os sociais-democratas suceder a Pedro Passos Coelho na liderança do partido (o atual PSD não se compromete com nenhuma posição).

Lacão defendeu o fim do plafond de financiamento privado dos partidos perguntando se "faz sentido que os partidos sejam a única instituição da sociedade civil com limite à angariação" privada de fundos. Também insiste na nova formulação dada à questão da isenção do IVA, dizendo que não é retroativa, pretendendo apenas esclarecer interpretações da Autoridade Tributária.

"Clarificamos a lei, foi só isso que fizemos", afirma o deputado do PS, garantindo assim que o Parlamento não foi além do que lhe foi sugerido pelo Tribunal Constitucional, a entidade que fiscaliza as contas partidárias.

Recorde aqui o debate

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.