Finanças justificam presença de Domingues: "Reuniões foram fundamentais"

Ministério das Finanças diz que reuniões em Bruxelas "foram fundamentais para a definição das condições iniciais do plano de negócios"

O Ministério das Finanças reagiu hoje à polémica relacionada com a presença de António Domingues em reuniões com a Comissão Europeia sobre o plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) quando este ainda não havia sido nomeado para o cargo e era administrador do banco privado BPI. O ministério confirma que "as reuniões de preparação do plano de negócios e capital da Caixa Geral de Depósitos com a DG Concorrência foram feitas pelo Governo, em colaboração com o Dr. António Domingues", mas acrescenta que "essas interações são há muito do conhecimento público".

O Ministério das Finanças acrescenta que "o Governo só podia nomear uma administração que apresentasse um plano com o qual concordasse e que fosse viável, desde logo junto das autoridades de concorrência europeias".

Num comunicado, o governo reafirma "confiança na reforma que está a empreender na CGD e na administração" liderada por António Domingues, "pelo seu profissionalismo, independência e idoneidade".

Realçando o empenho para que o processo de capitalização seja um sucesso, o ministério garante que "defenderá todas as componentes do plano de capitalização, em particular a independência e as condições dadas ao Conselho de Administração para executar o plano de negócios".

Neste comunicado, o ministério liderado por Mário Centeno diz ainda que "o Governo continuará determinado na solução dos problemas do sistema financeiro, em particular nos que não foram resolvidos e que, por isso, foram acumulados".

Antes desta nota de imprensa, o Governo já havia garantido, através da ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, e do secretário de Estado do Tesouro, Mourinho Félix, que não houve "acesso a qualquer informação confidencial" nas reuniões que António Domingues manteve com a Comissão Europeia antes de assumir a presidência da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Na quarta-feira, a Comissão Europeia confirmou ter-se reunido com o atual presidente da CGD para debater a recapitalização do banco público quando este ainda não tinha sido nomeado para o cargo e pertencia ainda aos quadros do BPI.

Hoje, o CDS apelou à intervenção do Banco de Portugal sobre eventual conflito de interesses, enquanto o PSD exigiu esclarecimentos urgentes.

"Isto vai correr bem, por mais barulho que faça o PSD ou o CDS", respondeu Carlos César, líder parlamentar do PS.

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