Fernanda Rollo: "Acompanhamento deve ser mais preventivo"

Maria Fernanda Rollo, secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, diz que o bem-estar dos alunos preocupa as instituições do ensino superior, mas estas não têm obrigação de ter psicólogos para todos os estudantes. Mais do que atuar na correção, diz que é preciso apostar na prevenção, ao nível da integração e da orientação vocacional dos jovens, por exemplo

Considera que existem psicólogos em número suficiente nas instituições de ensino superior?

O enquadramento social dos alunos é, efetivamente, uma preocupação, mas as instituições de ensino superior não têm obrigação de ter gabinetes de psicologia para todos os alunos. Mas há, evidentemente, preocupações generalizadas sobre o acompanhamento dos jovens em geral. Essa é uma das áreas que preocupam, quer ao nível da vocação quer na integração. Esse acompanhamento deve, em todas as fases, ser cada vez mais preventivo e não corretivo. Os jovens refletem aquilo que é a sociedade, nas suas angústias, ambições, expectativas, dificuldades económicas ou sociais. Muitas instituições de ensino superior têm essa preocupação e têm programas para evitar desacertos.

Já estão a atuar na prevenção, portanto...

Há muitas instituições que têm um trabalho cada vez mais desenvolvido a esse nível, acompanhando os contextos pedagógicos, de adequação ao perfil do aluno. São desafios difíceis na sociedade em que vivemos.

Há a intenção de aumentar o número de psicólogos nas universidades?

As instituições de ensino superior são autónomas, sejam elas universitárias ou politécnicas. Aquilo que os poderes públicos podem fazer e o que fazem é acompanhar esta preocupação, que é transversal. É plausível se pensarmos ao nível do sistema de educação, não é no ensino superior. Mas estamos a trabalhar na promoção de uma ligação mais estreita com a comunidade ligada à área, como a Ordem dos Psicólogos. Há preocupações em chamar a atenção para o bem-estar dos alunos.

O apoio psicológico é uma mais-valia para as instituições?

É uma mais-valia para todo o sistema que as instituições de ensino superior tenham estas preocupações. Não temos a mais pequena dúvida de que há muito trabalho a fazer, um caminho a percorrer, que não é exclusivo de Portugal. O foco está muito em como é que nós podemos, recorrendo a estes profissionais e a outras áreas, ajudar a prevenir e acompanhar estas situações.

Os doutorandos referem a precariedade no setor como um fator de grande ansiedade e depressão...

É evidente que a precariedade é um fator de preocupação para doutorandos, não doutorandos, para quem acaba o curso ou está fora das instituições do ensino superior. É plausível que seja um fator de stress, porque o investimento no doutoramento é um investimento pessoal muito grande. Quem passou por um doutoramento sabe o esforço que implica, a disciplina, a preocupação em relação ao futuro. Concluído o doutoramento, está no mercado de trabalho. Mas tem de existir responsabilização da sociedade e dos empregadores no sentido de contratar pessoas qualificadas para o desempenho de determinadas funções. Tem de aumentar a perceção desse valor acrescentado.

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