Fenprof acusa Governo de falta de seriedade política

Sindicatos questionam ainda números do executivo de António Costa relativos à progressão dos professores

A Fenprof disse que os dados das progressões dos professores confirmados esta quinta-feira pelo Ministério da Educação mostram "falta de seriedade política", e insiste nas dúvidas em relação às contas da tutela.

"O número de professores que o governo calcula estarem em condições de progredir em 2018 é, afinal, 38.449 e não os 50.151 que constam no documento enviado pelo governo à comunicação social. [...]Perguntar-se-á a razão por que o Governo divulgou um documento tão pouco rigoroso. Não, não foi incompetência técnica, terá sido, mesmo, falta de seriedade política", acusou a Federação Nacional de Professores (Fenprof), em comunicado.

Já hoje, numa nota de esclarecimento enviada à Lusa, o Ministério da Educação (ME) tinha recusado qualquer contradição de números entre os que divulgou sobre as progressões na carreira dos professores em 2018, depois de a Fenprof ter, na quarta-feira, levantando dúvidas sobre os dados adiantados à comunicação social.

Segundo a Fenprof, os números não correspondem a dados de progressão que o ME já tinha apresentado em momentos anteriores, mas que a tutela diz serem diferentes por se referirem a "exercícios diferentes", nomeadamente no que diz respeito ao total de docentes em condições de aceder ao 5.º e 7.º escalões da carreira, atualmente matéria em negociação e dependente da publicação de uma portaria para se concretizar.

"Na apresentação divulgada no passado dia 19 constam todos os docentes que ao longo de 2018 somam o tempo necessário para progredir em cada escalão. No 5.º e 7.º escalões reúnem tempo para progressão 6.562 e 7.337 docentes, respetivamente", lê-se num esclarecimento do ME enviado à Lusa.

Estes números diferem dos 1.162 docentes em condições de aceder ao 5.º escalão e 1.035 em condições de atingir o 7.º escalão adiantados em reuniões anteriores, que a tutela diz terem como data de referência o dia 01 de janeiro de 2018.

Como a portaria que vai determinar a abertura de vagas para acesso a estes escalões da carreira se vai reportar a 01 de janeiro a Fenprof insiste que os dados números divulgados à comunicação social "alteram a realidade".

"Face a estes novos números para dois escalões (o que levanta legítimas dúvidas sobre a validade dos números apresentados para os restantes sete), seria indispensável o Governo refazer todos os cálculos que apresentou e que, afinal, são incorretos. Sabe-se agora que, afinal, a percentagem de professores que progredirão em 2018 não será de 50,5%, estando em linha com os 50% da Administração Pública, que será de 50%, ficará bastante abaixo, não atingindo os 39%", lê-se num comunicado da Fenprof hoje divulgado.

A federação sindical ressalva ainda que, uma vez que serão estabelecidas vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalões, não serão sequer os cerca de mil professores por cada um destes escalões que vão progredir em 2018.

Ler mais

Exclusivos

Premium

coletes amarelos

Coletes Amarelos escolhem 25 de Abril para manifestação no Terreiro do Paço

O regresso dos coletes amarelos está agendado para amanhã, no Terreiro do Paço, em Lisboa. A manifestação usa o mote anticorrupção, mas os organizadores - os mesmos do protesto de 21 de dezembro - aproveitam para atacar a geringonça e vincar que estão "de luto por Portugal e pela democracia". A PSP vai acompanhar o protesto.