Feira Popular. Uma história que começou em 1943

Eleição da Rainha da Feira Popular, com a presença da Miss América, Bebe Shoop, e da atriz portuguesa, Beatriz Costa.

Palhavã, Entrecampos e agora Carnide. A história de uma feira que nasceu para financiar colónias de férias para crianças carenciadas.

A freguesia de Carnide vai ser o terceiro local de funcionamento da Feira Popular de Lisboa, depois de Palhavã e Entrecampos.

A Feira Popular de Lisboa abriu portas a 10 de junho de 1943 no Parque José Maria Eugénio, em Palhavã, numa iniciativa do diretor do jornal "O Século" para financiar colónias de férias para crianças carenciadas.

A colónia já tinha proporcionado férias a mais de 30 mil crianças e o financiamento estava a tornar-se difícil, pelo que João Pereira da Rosa decidiu criar um financiador empresarial para a obra e pediu autorização para instalar uma feira em Lisboa.

A Feira Popular manteve-se em Palhavã até 1956 e, a 24 de junho de 1961, abriu em Entrecampos, onde permaneceu até 2003.

Presidente da República, Óscar Carmona, na reabertura da Feira Popular

Entretanto, em 1998 foi criada a Fundação "O Século" para prosseguir e desenvolver a obra social da Colónia Balnear Infantil e era a fundação que "geria" a feira.

Por estar envelhecida e degradada, a Feira Popular de Lisboa fechou portas a 28 de março de 2003, tendo o então presidente da Câmara, Pedro Santana Lopes, anunciado que tencionava criar um novo parque de diversões, mais moderno. Tal, no entanto, não iria acontecer até 2015.

Três anos depois de ter fechado portas, começou um imbróglio judicial em torno dos terrenos de Entrecampos, que começou quando a autarquia e a empresa Bragaparques fizeram uma permuta daquele espaço com o Parque Mayer.

Em 2005, os terrenos do Parque Mayer, pertença da Bragaparques, passaram para a posse da Câmara de Lisboa, e a empresa de Domingos Névoa recebeu metade do lote de Entrecampos, anteriormente municipal.

Em julho daquele ano, a Bragaparques invocou o direito de preferência na hasta pública para adquirir o resto dos terrenos de Entrecampos, de 59 mil metros quadrados, por 57,1 milhões de euros -- o valor de licitação por metro quadrado era de 950 euros e a P. Mayer SA, empresa da Bragaparques, pagou 967 euros. Mais tarde, o negócio seria inviabilizado por um tribunal.

Em 2012, o Tribunal Central Administrativo declarou nula a permuta entre a Câmara de Lisboa e a empresa Bragaparques, que recorreram.

Dois anos depois, o então presidente da Câmara de Lisboa António Costa anunciou um entendimento com a Bragaparques, no âmbito do qual a autarquia se comprometia a pagar 100 milhões de euros à empresa pelos terrenos da antiga Feira Popular.

A 19 de outubro passado, realizou-se a hasta pública promovida pela autarquia lisboeta para a venda daqueles terrenos, que tinha um valor base de 135,4 milhões de euros, mas não apareceu nenhum interessado, tendo sido marcada uma nova data para dezembro.

Entretanto, e no meio de todo este processo, a Câmara de Lisboa cedeu à Fundação "O Século" a gestão de um posto de abastecimento de combustível em Moscavide como forma de a compensar pelo encerramento da Feira Popular, principal fonte de financiamento da sua obra social.

Uma compensação que, segundo disse à Lusa em 2013 o presidente da fundação, Emanuel Martins, fica longe da verba que a exploração do antigo parque de diversões garantia.

Quando a Feira Popular fechou, a autarquia e a fundação acordaram o pagamento de uma indemnização anual de cerca de 2,5 milhões de euros, correspondente à média anual de lucros do espaço de diversões, e com o compromisso de a instituição vir, no futuro, a construir um novo parque, onde a autarquia indicasse.

Mais tarde, o valor da indemnização seria reduzido para dois milhões de euros, tendo a câmara suspendido depois o pagamento da verba, alegando falta de dinheiro, o que deixou a fundação em grandes dificuldades de subsistência.

Hoje, 12 anos depois do encerramento da Feira Popular, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, anunciou que o futuro parque de diversões da cidade vai abrir em Carnide num espaço de 20 hectares, "quatro vezes maior" do que era e que é para abrir "o mais rápido possível".

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