Farmácias de Leiria e Setúbal entregam remédios para VIH

Projeto-piloto deve começar até junho. Litoral Alentejano também incluído. Doentes escolhem local onde querem recolher medicamentos

Farmácias de Leiria, Setúbal e Litoral Alentejano vão poder dispensar medicamentos aos doentes com VIH, um projeto-piloto que deverá arrancar até junho e terá a duração de um ano. O objetivo é facilitar o acesso dos doentes à medicação e evitar longas deslocações aos hospitais onde estão a ser seguidos, com uma opção mais próxima.

A adesão ao projeto é voluntária e só as farmácias que tiverem profissionais certificados para o efeito poderão fazer a dispensa desses medicamentos. Fonte do Ministério da Saúde explicou ao DN que o "doente tem direito a optar pelo local onde quer levantar a medicação, farmácia hospitalar ou comunitária", mas nem todos poderão participar na experiência-piloto: "Será feita a identificação dos doentes elegíveis de acordo com os indicadores clínicos referentes ao seu seguimento em consulta. Os critérios de inclusão/exclusão foram definidos de acordo com o princípio da estabilidade clínica."

O projeto está a ser desenhado entre o ministério, as associações de farmácias e a Ordem dos Farmacêuticos com reuniões regulares e a ser acompanhado por uma equipa científica externa, liderada pelo Imperial College of London. Os locais para o arranque do projeto-piloto estão escolhidos. "Serão doentes de Leiria, Setúbal e Litoral Alentejano. O primeiro está na zona de influência do hospital de Coimbra, os outros dois na zona de influência do hospital de Setúbal", explicou Humberto Martins, da área profissional da Associação Nacional de Farmácias (ANF), adiantando que o universo total de doentes abrangido ainda não está definido.

Refere que o primeiro trimestre serviu para definir a parte mais técnica, como os indicadores de avaliação, a forma de entrega da medicação e a passagem de informação aos médicos que seguem os doentes. "No segundo trimestre esperamos arrancar com o projeto", diz.

Confidencialidade garantida

Manuela Pacheco, presidente da Associação Farmácias de Portugal (AFP), adianta que entre os seus associados nas zonas escolhidas, "15 farmacêuticos já se mostraram interessados para ter a formação" obrigatória para poderem fazer a dispensa da medicação. Também ela acredita que será possível iniciar a dispensa nas farmácias até junho, embora ainda faltem definir alguns pormenores como a periodicidade da entrega dos medicamentos aos doentes.

"Na minha opinião, o modelo mais correto, até para evitar fraudes e desperdícios, seria a entrega para um mês."

Outra questão importante, refere a responsável, é a garantia de confidencialidade, que afirma estar assegurada. "O doente não tem de estar exposto, temos salas privadas em todas as farmácias onde podemos prestar todo o acompanhamento." Também na transmissão de informação ao hospital e ao médico, assegura o ministério, a confidencialidade está garantida. "A articulação entre os prescritores, a farmácia hospitalar e a farmácia comunitária será garantida através dos sistemas de informação existentes."

Na fase de projeto-piloto, o stock de medicamentos continua a ser propriedade do hospital, sendo o medicamento faturado à unidade onde o doente é seguido. A distribuição da medicação às farmácias será feita pelos grossistas "aproveitando a estrutura já existente e o bom funcionamento em termos de cobertura e tempos de resposta", adianta o ministério.

Na fase-piloto não haverá custos para o Estado. Ou seja, a dispensa que as farmácias vão fazer não será paga. Mas se o sucesso for provado, poderá servir de mote ao pagamento por ato prestado pelas farmácias.

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