Expulsão por violência nunca existiu

Oito ex-alunos foram a julgamento por violência sobre colegas mais novos

Subdiretor do Colégio Militar disse que aluno condenado por furar tímpano a colega foi expulso. Foi suspenso e teve louvor

O tenente-coronel António Grilo, autor das declarações sobre homossexualidade que terão levado à demissão do chefe do Estado-Maior do Exército, afirmou na mesma reportagem do Observador que o aluno condenado por furar o tímpano de um colega mais novo foi expulso do Colégio Militar. No entanto, a sanção aplicada, em 2007, pela instituição a este jovem foi uma suspensão de cinco dias.

Segundo o Observador, o subdiretor do Colégio Militar - que entrou para a direção do mesmo em outubro 2013, pouco antes do início do julgamento - referiu que a situação da perfuração no tímpano de um aluno foi "um caso localizado" e "uma situação desagradável". Mas que o aluno em causa foi expulso do Colégio. No entanto, a sanção aplicada ao jovem que tinha então 17 anos, foi a suspensão. Depois de um processo disciplinar onde se discutiu a sua desgraduação e até a sua expulsão.

No final do ano letivo, teve direito a um louvor por parte do diretor de então, o major-general Raul Passos, que em tribunal referiu ser normal escrever uma nota sobre o comportamento e o desempenho dos alunos. A nota agradecia "o apoio dado como graduado", isto é como aluno responsável por colegas mais novos.

Em tribunal foram julgados oito alunos por três episódios de violência envolvendo colegas mais novos que estariam à sua guarda. Um dos casos era o do rapaz que ficou com o tímpano furado (não perdeu a audição, mas ficou com sequelas), depois de ter levado uma chapada com a luva de cabedal do uniforme. Um ato defendido durante o julgamento como sendo uma tradição do Colégio quando os mais novos desrespeitavam os mais velhos. Os outros casos referem-se a excesso de exercício físico - decretado pelos mais velhos como castigo - aplicado a dois alunos que levaram a internamentos nos cuidados intensivos e um deles não recuperou totalmente a mobilidade dos membros superiores.
No ano passado, o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a condenação por ofensas à integridade física e aumentou o valor das indemnizações a pagar às vítimas. A mãe de uma delas referiu ontem ao DN que um ano depois ainda não recebeu os montantes. Apenas um dos cinco arguidos pagou, disse.

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