Ex-autarca diz ter desviado dinheiro por causa de "stripper"

O antigo presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta confessou a autoria material de um crime de peculato na forma continuada. Alegou que era chantageado pela amante

Pedro Mora, antigo autarca de Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança, confessou esta segunda-feira a autoria material do crime de peculato na forma continuada, de que é acusado, segundo avança o Jornal de Notícias.

O antigo vereador do Turismo admitiu, no Tribunal de Torre de Moncorvo, que transferiu dinheiro das contas bancárias de uma empresa do município para outras contas detidas por ele. Alegou tê-lo feito porque era chantageado por uma "stripper" com quem manteve uma relação e que ameaçou tornar o caso público.

Segundo o Jornal de Notícias, que conta a história, em causa está o valor de 9424 euros, apropriado pelo ex-autarca, entre 2010 e 2012, através de 30 transferências bancárias. O valor foi reposto por Pedro Mora em 2016, mas o executivo de Freixo de Espada à Cinta no mandato seguinte, pediu uma auditoria às contas da autarquia e foi assim que o caso foi descoberto.

Na versão de Pedro Mora, de 48 anos, e que em tribunal disse estar arrependido, o crime de que é acusado aconteceu numa altura conturbada da sua vida: mantinha uma relação amorosa com uma "stripper" de nacionalidade brasileira e esta ameaçou revelar o caso à mulher do então autarca e expô-lo nas redes sociais. A mulher acabaria por regressar ao Brasil, com um bilhete comprado por Pedro Mora.

O arguido disse ter sido "coagido e manipulado" pela amante e justificou o desvio de dinheiro com a sua tentativa de "proteger a vida familiar e pública".

As transferências bancárias foram feitas da conta da "Congida La Barca - Transportes Turísticos e Fluviais", detida pelo município de Freixo de Espada à Cinta e pelo Ayuntamentio de Vilvestre, em Espanha, que detém também parte da empresa de transportes.

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