Passos e Rui Rio festejam a maioria absoluta de Cavaco... sem ele

Eleitos do PSD em 1991 juntam-se num almoço. Entre eles, o líder do partido e Rui Rio, mas o ex-Presidente não foi convidado

A segunda maioria absoluta de Cavaco Silva - o melhor resultado de sempre do PSD em legislativas - vai sentar hoje à mesma mesa o líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, e aquele que vem sendo apontado como um possível candidato à sucessão, se não mesmo futuro adversário - Rui Rio.

O almoço evocativo que decorrerá hoje na Assembleia da República pretende juntar os deputados que foram eleitos pela primeira vez para o parlamento (e que não saíram logo para o governo) nas eleições legislativas de 6 de Outubro de 1991. Segundo Manuel Castro Almeida, antigo secretário de Estado e ex-presidente da Câmara de São João da Madeira - que assume a paternidade da iniciativa - "a ideia foi juntar os que iniciaram funções nesse dia, há exatamente 25 anos". E, se o almoço vai juntar Passos Coelho e Rui Rio - que tem sido associado a movimentações internas de descontentes com a atual liderança - Castro Almeida recusa qualquer leitura política deste almoço. "Fui o autor da ideia, esta é uma data relevante, quis juntar-me com as pessoas que fizeram parte da mesma equipa. É um almoço de confraternização, de amigos", diz ao DN.

Cavaco Silva de fora

O almoço evocativo não contará com o principal artífice da maioria absoluta dos sociais-democratas - o próprio Cavaco Silva. Contactado ontem pelo DN, o gabinete de Cavaco disse conhecer a iniciativa, mas esclareceu que o ex-presidente não recebeu qualquer convite para estar presente. Um facto que não estranhou dado os critérios que presidiram aos convites.

De acordo com Castro Almeida vão estar presentes no almoço, que decorrerá no Refeitório do Frades, no parlamento, além de Passos e Rio, nomes como Nunes Liberato, antigo chefe da Casa Civil de Cavaco Silva em Belém ou o ex-ministro das Finanças Braga de Macedo. Tal como Duarte Pacheco que, a par de Passos, é o único dos eleitos de há 25 anos que se mantém como deputado.

O melhor resultado de sempre

Depois de uma primeira maioria absoluta, em 1987, a 6 de Outubro de 1991 Cavaco Silva ganhou novamente as legislativas, subindo a fasquia para os 50,6% dos votos, que deram aos sociais-democratas 135 assentos na Assembleia da República - resultado que se mantém até hoje como o melhor de sempre dos sociais-democratas. "Houve listas de alguns distritos que, com as saídas para o governo, chegaram ao último suplente", lembra Macário Correia, um dos eleitos de 1991, que não estará presente no almoço por razões profissionais.

Além da estreia como deputado, a saída para o governo foi outro critério de exclusão da lista de convites. Entre os eleitos sociais-democratas de 1991 contam-se nomes como Arlindo de Carvalho, Dias Loureiro, Duarte Lima, Pedro Santana Lopes, Leonor Beleza, Mira Amaral, Miguel Relvas, Durão Barroso, Pacheco Pereira, Luís Filipe Menezes, João de Deus Pinheiro ou Fernando Nogueira.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.