Estratégia do PSD para autárquicas favorece candidatura de Santana

Calendário definido pelo PSD torna mais provável uma candidatura do antigo líder. Concelhia já definiu perfil, onde encaixa o ex-líder. Santana Lopes ainda não decidiu

A estratégia que o PSD definiu para as autárquicas - de aprovar o perfil do autarca só em julho e de apresentar um candidato a Lisboa só no último terço do ano - aproxima o antigo líder Santana Lopes de uma candidatura a Lisboa. A juntar a isso a concelhia definiu recentemente um perfil de candidato à capital que, embora não vinculativo, encaixa nas características do antigo primeiro-ministro. E não só.
Vamos ao calendário, que é agora favorável a Santana. Inicialmente, chegou a estar previsto que o PSD tivesse um candidato em maio, dado que o principal adversário à esquerda já é conhecido (Fernando Medina). O PSD decidiu, no entanto, só aprovar o perfil do candidato autárquico no próximo Conselho Nacional, que só será em julho. Metem-se depois as férias, a silly season, e o candidato a Lisboa só será apresentado na rentrée em setembro ou outubro.

Ora, se Santana Lopes tivesse de decidir este mês, provavelmente diria que não - já que acabou de acordar com António Costa a recondução na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Mas, no final do ano, abre-se margem para que possa aceitar o desafio. Só depende dele.

O líder do PSD/Lisboa, Mauro Xavier (apontado como "santanista") confirma que o candidato deverá ser apresentado em "setembro/outubro", embora não adiante nomes.

Quanto ao perfil escolhido para a concelhia, garante apenas que "não exclui, de maneira nenhuma, o doutor Santana Lopes". Já sobre se a nova calendarização favorece o antigo primeiro-ministro, Mauro Xavier diz apenas: "Gosto da expressão keep cool [que Santana utilizou no congresso], mas antes do final de outubro temos de ter candidato."

No que diz respeito à escolha, a concelhia propõe que seja "feita em acordo de quatro estruturas: a concelhia, a distrital, a coordenação autárquica e quem tem a decisão: a presidência do partido". E, até agora, garante Mauro Xavier, estão "todos alinhados".

O presidente da distrital de Lisboa, Miguel Pinto Luz, considera Santana Lopes um grande ativo autárquico (ver entrevista ). No entanto, o DN apurou que será difícil o partido escolher outro candidato caso Santana decida avançar. Pelo currículo e pelo peso político de que dispõe. Resta saber a disponibilidade do próprio. No congresso, lançou o mote, com dúvida que baste, sobre uma eventual candidatura a Lisboa: "Keep cool, tenham calma, tudo a seu tempo".

Ao DN, fonte próxima admite que o atual provedor da SCML "tem recebido, quer da parte partidária, quer de privados, quer de pessoas na rua, incentivos a que avance para Lisboa e que dizem que foi um grande presidente".

No entanto, a mesma fonte revela que Santana "ainda não pensou no tema", pois "está cheio de trabalho na SCML, onde acumula vários pelouros". Há dois pontos, continua a mesma fonte, que são, para já, contras à sua candidatura: "a vida profissional estabilizada, no escritório de advogados, onde tem muito trabalho" e "a excelente relação institucional que tem com Fernando Medina". Mas não são inibidores de uma candidatura no final do ano.

Ora, o DN sabe ainda que têm sido sondadas outras figuras como Maria Luís Albuquerque, Marques Mendes e Moreira da Silva. O líder da concelhia recusa comentar qualquer nome, mas não nega que considera que Santana Lopes "foi um grande presidente" do município lisboeta.

No PSD têm sido várias as vozes a elogiar Santana. O ex-vice-presidente da bancada do PSD José Eduardo Martins - ele próprio desafiado por José Pedro Aguiar Branco a avançar - disse ao DN no último sábado que "Pedro Santana Lopes é, goste-se ou não se goste - e eu gosto -, um dos grandes ativos eleitorais do PSD. Um dos maiores. Conseguiu, mais uma vez, reinventar-se e, por isso, é um ativo que o PSD não pode desperdiçar".

Também o histórico Ângelo Correia afirmou que "Santana Lopes é sempre uma referência do PSD. Faz sentido qualquer que seja candidato a qualquer lugar importante que o PSD concorra". Mas acrescenta: "De qualquer modo, há outros lugares a que ele se pode candidatar."

A ex-ministra Paula Teixeira da Cruz não quis comentar uma eventual candidatura de Santana, pois diz que comentar nomes é, neste momento, "extemporâneo".

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