"Estou a fazer aquilo que faço melhor, que é resolver problemas"

Constança Urbano de Sousa admitiu falhas "intermitentes" no SIRESP mas acusou o PSD de não ter antes resolvido nada.

O PSD queria "humildade" e "responsabilidades" assumidas por parte da ministra da Administração Interna em relação às "falhas" na prevenção e combate aos incêndios, desde Pedrógão Grande, no qual morreram 64 pessoas, até aos mais recentes em Mação e Sertã e que a governante pedisse desculpa ao país. Constança Urbano de Sousa deixou os sociais-democratas como entraram na audição parlamentar, na tarde desta quinta-feira: sem vitórias políticas.

"A Sra. Ministra manifestou uma atitude, que também tem sido a do governo em geral, que é não deixar que a verdade estrague uma boa narrativa comunicacional", sintetizou o deputado do PSD, Carlos Abreu Amorim. Para o PSD a equipa do Ministério da Administração Interna "foi impotente" e "não esteve à altura da tragédia".

A titular da pasta foi chamada pelo partido de Pedro Passos Coelho para explicar as "falhas" no SIRESP, o sistema de comunicações de emergência utilizado pelos bombeiros e polícias, cujo desempenho tem sido repetidamente criticado pelos operacionais no terreno. Constança Urbano de Sousa, embora primeiro tivesse alinhado no apelo de Marcelo Rebelo de Sousa e pedido que não se fizesse aproveitamento político das vítimas dos incêndios, acabou para atirar para os anteriores governos do PSD/CDS a responsabilidade pelos "problemas" que assumiu existirem no SIRESP e que não foram antes resolvidos. "Estou a fazer agora aquilo que sei fazer melhor, que é resolver problemas", sublinhou, já no final da audição refutando acusações feitas pela oposição de que não se tinha escudado "nas questões meteorológicas, mas simplesmente explicado que há, de facto, situações imprevisíveis".

A ministra da Administração Interna lembrou que as "falhas" do SIRESP "não são de agora" e que foram identificados problemas já em 2012 e 2013, no incêndio do Caramulo (no qual morreram oito bombeiros) e nas cheias no Algarve. "E o que fizeram os senhores?", questionou. "Encomendaram uma auditoria a uma consultora, por acaso conhecida pela sua especialidade em assuntos fiscais e financeiros", ironizou. O estudo na KPMG, que avançou ter custado ao Estado 246 mil euros, ficou concluído em 2014, indicando um conjunto de medidas para reforçar a resiliência e a redundância do SIRESP. "De todo o pacote de medidas o anterior governo apenas cumpriu duas. Todas as restantes estão a ser implementadas por nós. Mas, claro, não são coisas que se façam de um dia para o outro", afirmou.

Constança Urbano de Sousa garantiu que o SIRESP "não falha totalmente", mas tem "algumas intermitências nas comunicações" em momentos de maior utilização, como é o caso de um teatro de operações."O problema tem que ser resolvido de duas formas: tornar a rede mais resiliente, ou seja, as suas ligações fixas, mas também dotá-la de sistemas mais redundantes", afirmou.

Na audição, que durou quase três horas, PCP e BE voltaram a defender o fim da Parceria Público Privada que gere o SIRESP e a passagem do sistema para a esfera pública. O CDS, através de Telmo Correia, insistiu na demissão, como o partido já tinha feito antes, e afirmou que a ministra "falhou redondamente", não só nos casos de Pedrógão Grande, em junho, como quanto as suas prioridades de prevenção, nomeadamente na tentativa de controlo dos incêndios no "ataque inicial".

Antes da audição, o PSD devolveu ao Governo as acusações de atitudes indignas na polémica em torno da lista de mortos nos incêndios de Pedrógão Grande e avisou que este caso não está encerrado.

Carlos Abreu Amorim, vice-presidente da bancada do PSD, utilizou a mesma palavra "indigno"usada pelo Governo, para dizer que "indigno é não ter chegado, até ao momento, um cêntimo de dinheiro público" e de donativos às populações afetadas pelos incêndios de junho na região centro.

Como é "indigno", repetiu, que o Governo tenha adiado para setembro a aprovação de um projeto de lei do PSD, que tinha o apoio do PCP e do BE, que criava "um mecanismo urgente extrajudicial" para acelerar a reparação de danos às famílias dos mortos e dos feridos.

E indigna é a "lei da rolha" para os comandantes distritais dos bombeiros e as mudanças de comandos a poucos meses do início da época dos incêndios, acrescentou.

Carlos Abreu Amorim criticou ainda a lentidão na divulgação da lista de mortos - que só aconteceu na terça-feira - e disse que foi "graças à pressão do PSD" e também da comunicação social que isso aconteceu. Com Lusa

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