Estirpe da Adubos só foi confirmada em cinco mortos

Maioria das vítimas não está ligada à bactéria das torres. Processos contra o Estado por omissão na lei podem avançar

Apenas cinco das 14 pessoas que morreram na sequência do surto de legionela ocorrido em novembro de 2014 tinham a estirpe da bactéria, cujo foco de propagação terá estado numa das torres de refrigeração da Adubos de Portugal. Esta questão, segundo fonte ligada ao processo, poderá, a médio prazo, colocar a questão da indemnização: a quem é que as famílias das nove vítimas poderão pedi-la em caso de condenações?

O mesmo problema coloca-se às vítimas que foram infetadas e até hospitalizadas: apenas 75 em 152 amostras clínicas recolhidas foram registadas como portadoras da estirpe ST1905 encontrada nas amostras de água colhidas na tal torre da AdP.

Ou seja, há uma grande quantidade de vítimas cuja origem da contaminação não foi identificada pela investigação. "A eventual responsabilização das empresas é muito complicada, restará às pessoas, eventualmente, avançar com uma ação de responsabilidade contra o Estado." E esta ação, de acordo com a mesma fonte, poderá ter na base a omissão de legislação específica relacionada com a legionela (ver texto ao lado). Ao contrário do que, por exemplo, acontece com Espanha, onde existe legislação sobre o controlo e a monitorização da bactéria. Como está em causa, sobretudo, eventuais condutas negligentes, estas são de prova difícil.

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