"Estamos a falhar na formação de espríritos críticos"

A aposta num ensino focado nas necessidades atuais do mercado de trabalho está a impedir a escola de formar as crianças e jovens para serem cidadãos críticos e flexíveis. O alerta é feito pelo professor jubilado da Universidade Livre de Bruxelas, José Morais, que hoje lança o livro "Alfabetizar em Democracia", da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Na obra, o autor faz a ligação entre a democracia e a literacia e mostra a sua insatisfação com o estado da democracia no mundo. José Morais considera que mais do que um meio para atingir a democracia, a literacia é uma afirmação desta.

"Não basta usar o alfabeto para se ser literado", explicou em entrevista ao DN. A literacia pode ser usada para "desenvolver uma atividade profissional" ou para "desenvolver a capacidade de reflexão". E esta última é para o investigador de psicologia cognitiva a "literacia plena".

"Então o que devemos pensar quando formamos os nossos jovens? Devemos formá-los para um espírito aberto, crítico, criativo e flexível".

E atendendo ao atual sistema de ensino, "em que estamos a formar indivíduos para o mercado de trabalho que não sabemos como vai ser no futuro porque não conseguimos prever a evolução tecnológica", torna-se claro que "estamos a falhar rotundamente" a formação para a capacidade de reflexão.

Esta forma de educação só pode levar a um de dois cenários, alerta José Morais, que é membro do Conselho de Educação da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Ou "temos 2% da população que faz parte de uma elite com dinheiro e gere a sociedade, uma maioria de pobres e escravos e uma classe média, com tendência a desaparecer, que fica no meio e faz a comunicação entre a elite e os pobres". No outro cenário "vence o princípio humanista de termos todos direitos iguais".

No entender do professor universitário, "estamos agora a ir mais para o primeiro cenário do que para o segundo. Não é por acaso que o alfabetismo baixou nos países desenvolvidos. E esse é um cenário horrível que deve ser discutido pelas pessoas".

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