Estação Sul e Sueste: os barcos vão voltar no final de 2019

Executivo camarário vota hoje o projeto de arquitetura para a reabilitação da antiga gare fluvial, um edifício emblemático da frente ribeirinha, desativado desde 2011. Obras deverão ficar concluídas no segundo semestre de 2019

A Câmara de Lisboa vota hoje o projeto de arquitetura para a recuperação da estação Sul e Sueste, dando assim o pontapé de saída para a recuperação do icónico edifício junto ao Terreiro do Paço, em Lisboa. A aprovação pelo executivo camarário surge três meses depois da data prevista para... o fim das obras - o calendário inicial apontava para a conclusão da reabilitação no final de 2017.

A nova data para a conclusão da empreitada, que deverá iniciar-se no último trimestre de 2018, é agora o segundo semestre de 2019, segundo avançou fonte camarária ao DN. No final, a antiga estação, que durante décadas assegurou o acesso à estação de caminhos-de-ferro do Barreiro - de onde partia a ligação ferroviária para o sul do país - voltará às linhas originais projetadas em 1929 pelo arquiteto Cottinelli Telmo. O projeto prevê a reinstalação dos azulejos que foram entretanto retirados das paredes, bem como a remoção de elementos que foram sendo acrescentados ao desenho original. Há anos em avançado estado de degradação, a estação do Sul e Sueste vai transformar-se num terminal de atividade marítimo-turística, de onde partirão os barcos para passeios no Tejo.

O projeto, da autoria de Ana Costa (neta de Cottinelli Telmo), prevê a instalação no edifício das bilheteiras de apoio às atividades náuticas de recreio. O projeto inclui a substituição dos pontões já existentes por estruturas mais leves, bem como a introdução de um novo cais para embarcações turísticas. Prevista está também a edificação de uma área para cafetaria e outra para restauração, bem como uma Lisboa Shop, uma loja dedicada a produtos regionais da cidade.

Além do edifício, também a zona envolvente vai ser reabilitada, o que passará por um aumento dos espaços verdes, pela aposta em percursos pedonais e cicláveis que facilitem a ligação do Terreiro do Paço ao Cais das Cebolas, e pela reconstrução do muro das namoradeiras (ver foto ao lado), com os dois assentos que lhe são característicos, completando assim a reabilitação na zona lateral ao Cais das Colunas. A Praça em frente à estação vai também ter esplanadas.

Uma "nódoa negra" em Lisboa

Inaugurada em 1932, a estação Sul e Sueste foi classificada em 2012 como Monumento de Interesse Público. A reabilitação da gare fluvial, que foi desativada em 2011, é uma história que leva anos, e várias versões - chegou a ser admitida a instalação de uma Loja do Cidadão naquele espaço.

Em 2014, o então presidente da câmara de Lisboa, António Costa, referia-se ao estado do edifício como "uma vergonha para a cidade", uma "nódoa negra no Terreiro do Paço". Em setembro de 2016, a estação (que até então era propriedade da CP) passou para as mãos da autarquia, já com Fernando Medina a liderar a câmara. O autarca repetiu então os adjetivos - "uma nódoa, uma ferida" -, apontando a reabilitação da estação Sul e Sueste como "a última peça do programa de requalificação da frente ribeirinha". O final de 2017 era então a data apontada para o término das obras, que não chegaram a arrancar nesse prazo. No final do passado mês de fevereiro, Fernando Medina justificou o atraso com questões técnicas devidas às infraestruturas do metropolitano.

Com um investimento previsto de sete milhões de euros, o custo das obras - quer da recuperação do edifício, quer do espaço exterior envolvente - será suportado pela Associação de Turismo de Lisboa, entidade que ficará responsável pela futura gestão do espaço. De acordo com a proposta que deverá hoje ser aprovada pelo executivo camarário, a cedência do espaço à ATL vigorará por, pelo menos, 50 anos.

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