Esquerda esforça-se tanto como a direita a criticar Governo

Governo completamente isolado no debate parlamentar do Programa de Estabilidade (PE) e do Programa Nacional de Reformas (PNR)

Quem levasse à letra o que o BE e PCP disseram esta tarde no Parlamento sobre o PE e o PNR pensaria que o país está à beira de uma crise política, por falta de apoio para os documentos governamentais tanto na maioria que apoia o Executivo como à direita.

Se as críticas à direita eram à esperadas, já as da esquerda surpreenderam pelo seu tom particularmente agressivo - sabendo-se, ainda para mais, que na sexta-feira o CDS quer levar os dois documentos a votos, forçando bloquistas e comunistas a viabilizá-los.

"É tudo errado", disse a deputada bloquista Mariana Mortágua, face aos objetivos de contenção orçamental previstos no PE.

Segundo sublinhou, "a despesa pública cresce abaixo do PIB", ou seja, o Estado acabará nos próximos anos a "gastar 19 mil milhões abaixo das suas capacidades", dando "lucro" e mobilizando-o todo para a dívida.

"O BE não se reconhece nestes cenários e nestes objetivos", sintetizou a parlamentar bloquista.

Já para o PCP, o que está em causa são documentos que pela sua simples existências devem ser criticados por resultarem de obrigações europeias, ou seja, da "ingerência e controlo" da UE sobre Portugal, que visam políticas "no sentido da concentração da riqueza".

Há - disse João Oliveira, líder parlamentar do PCP - uma "crescente contradição" entre obedecer à UE e repôr rendimentos. "Como se assegura descongelamento das carreiras? Como se combate a precariedade no Estado?
Como se reverte o saque fiscal [levado a cabo pelo governo PSD/CDS]?", perguntou o parlamentar comunista.

Tanto o BE como o PCP fizeram exigências para 2018 sobre o aumento de escalões do IRS e sobre o aumento do Salário Mínimo (o BE especificou os valores: 580 euros em 2018 e 600 em 2019).

Na resposta, o ministro das Finanças, Mário Centeno, limitou-se a dizer que "este Governo tem cumprido todos os compromissos internos, todos os compromissos que estabeleceu na AR, todos os compromissos que estabeleceu com os parceiros sociais e também todos os compromissos com a entidades externas".

No capítulo do salário mínimo, o Programa de Governo fala nos valores referidos pelo BE mas quanto aos escalões do IRS limita-se a prometer que os aumentará (sem dizer quando nem para quantos - fórmula aliás replicada nas "posições conjuntas" assinadas entre o PS e os partidos à sua esquerda).

Miguel Morgado, do PSD, encerrou pelo seu partido o debate da maneira que se esperava, pedindo ao BE e PCP que "retirassem a consequência lógica" do que disseram, votando contra os documentos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.