Avó e neta estavam de férias a passear nas Ramblas quando foram colhidas

Portuguesas que foram vítimas do atentado em Barcelona iam passar uma semana na cidade. Tinham chegado há poucas horas

As duas portuguesas, avó e neta, que morreram no atentado de quinta-feira em Barcelona tinham chegado poucas horas antes à cidade para umas férias e decidiram dar um passeio nas Ramblas, disse o secretário de Estado das Comunidades.

"Esta jovem esteve de férias com o pai e vinha cá [a Barcelona] com a avó, que era a sua confidente, passar oito dias", disse José Luís Carneiro aos jornalistas na sede do Governo da Catalunha. Segundo alguns meios de comunicação, terão escolhido a cidade para passar o aniversário da avó.

"Chegaram, instalaram-se contactaram com a família e foram dar um pequeno passeio. E foram colhidas neste acidente trágico", disse o governante português, que hoje de manhã se reuniu com a família para dar a notícia da morte da jovem.

Os pais, contou José Luís Carneiro "estão destroçados, por várias circunstâncias".

"Primeiro porque foram colhidos pela surpresa da morte da mãe deste português e ficaram estas horas sem saber do paradeiro da sua filha, isso em si mesmo é muito trágico", disse o secretário de Estado.

Ainda assim, o responsável acredita que o processo de identificação das vítimas "foi muito rápido".

Na sexta-feira, contou, foi necessário fazer visitas às unidades hospitalares para verificar se esta jovem de 20 anos estava entre os feridos.

"Depois dessa verificação, chegámos à conclusão de que não se encontrava nessas circunstâncias", recordou.

De seguida, foi necessário recolher as impressões digitais da jovem, que tiveram de ser autorizadas pelo instituto de registos e notariado em Lisboa e chegaram ao fim do dia de sexta-feira a Barcelona.

"Depois a família foi chamada ontem, por um lado para certificar a senhora mais idosa - a avó. E foram também recolhidos outros elementos necessários aos testes de ADN. Entre ontem e hoje foram realizados esses testes e confirmou-se o pior cenário", concluiu.

Espanha foi esta semana alvo de dois ataques terroristas, em Barcelona e em Cambrils, na Catalunha, que fizeram 14 mortos e 135 feridos, com a utilização de viaturas que atropelaram pessoas indiscriminadamente.

A lista de vítimas mortais do ataque em Barcelona inclui duas portuguesas, uma mulher de 74 anos, residente em Lisboa, e a sua neta, de 20.

Em Barcelona, o ataque ocorreu na quinta-feira à tarde, nas Ramblas, uma avenida muito frequentada por turistas.

Na madrugada de sexta-feira, cinco homens num automóvel atropelaram um grupo de pessoas em Cambrils, uma estância balnear a cerca de 100 quilómetros de Barcelona, fazendo um morto e cinco feridos.

Os dois ataques foram reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (também conhecido pelo acrónimo árabe Daesh).

14 portugueses vítimas de terrorismo

Com este novo balanço, sobe para 14 o número de vítimas portuguesas de atentados 'jihadistas'.

Cinco portugueses morreram nos atentados de 11 de setembro de 2001. Alguns trabalhavam nas Torres Gémeas em Nova Iorque. António Rocha, Carlos da Costa, João Aguiar, Manuel da Mota e António Carrusca Rodrigues tinham entre 30 e 41 anos. Um ano depois, na Indonésia, o soldado paraquedista Diogo Riberinho foi uma das 202 vítimas mortais dos atentados de outubro de 2002 na ilha de Bali. Membro do contingente destacado em Timor-Leste, encontrava-se na altura de férias.

Em Marrocos, em 2011, num atentado contra o turístico café Argana, em Marraquexe, 17 pessoas morreram, na maioria estrangeiros, entre eles André Silva, português de 23 anos. No Mali, em 2014, Gilberto Leal foi morto por um grupo jihadista que o raptara dois anos antes. Na Tunísia, em 2015, Maria da Glória Moreira, 76 anos, viúva, foi uma das 38 vítimas mortais de um ataque terrorista a um resort em Sousse, a 26 de junho.

Nos atentados de Paris, em novembro de 2015, estavam três portugueses entre os 130 mortos, entre eles Manuel Colaço Dias, 63 anos, de Mértola (no atentado junto ao Estádio de França), Précilia Correia, 35,do Montijo (no clube Bataclan), e Christine Gonçalves, de 50 anos. Em janeiro de 2016, 29 pessoas morreram nos no Burkina Faso, entre elas António Basto, natural de Massarelos, que vivia em França desde os sete anos.

O DN confirmou com fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que não houve ainda ordem para reforçar a segurança nos postos fronteiriços terrestres, aeroportos e portos e que o nível de alerta se mantém no grau 3 (moderado), numa escala de 0 a 5. O Presidente da República, em declarações à RTP, referiu que o Governo considera que não existe, para já, necessidade de aumentar o nível de alerta em Portugal.

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