Entre marido e mulher mete-se o governo

Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino, casados, vão ser ministros. Vieira da Silva regressa à Segurança Social e a sua filha será secretária de Estado adjunta de António Costa

António Costa garantiu que, a qualquer momento, poderia apresentar um governo e assim foi. Além de militantes do PS e independentes, o indigitado primeiro-ministro também deu um toque familiar ao seu governo, escolhendo um casal, Eduardo Cabrita para ministro-adjunto e Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, privilegiando também a relação pai, Vieira da Silva, ministro da Segurança Social, e filha, Mariana Vieira da silva, secretária de Estado adjunta do primeiro-ministro.

Se o nome de Eduardo Cabrita para integrar o governo não foi uma surpresa - o ex-presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia da República há muito que era apontado como um dado certo no executivo de António Costa - o da sua mulher poderá ser considerado uma novidade. Ana Paula Vitorino foi secretária de Estado dos Transportes nos governos de José Sócrates.

Conhecida por ser intransigente, até teimosa, a sua permanência no governo até foi alvo de conversas escutadas no âmbito do processo da Face Oculta. Porém, Ana Paula Vitorino manteve-se no cargo e, quando foi ouvida pela Judiciária de Aveiro, até relatou uma conversa com o então ministro Mário Lino, na qual este lhe terá dito que o empresário Manuel Godinho, condenado a 15 anos de cadeia, era amigo do PS. Ana Paula Vitorino, 53 anos, é licenciada em Engenharia Civil, com um mestrado em Transportes

Aos 54 anos, já se sabia que Eduardo Cabrita seria um nome certo no governo. Nas últimas semanas, circularam rumores de que seria ministro da justiça ou da administração interna. Mas Costa quis o seu homem de confiança mais perto de si. Será ministro adjunto.

Na última legislatura, ficou famoso o seu episódio com o então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, a quem numa sessão da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, a que presidia, retirou por diversas vezes o microfone, não o deixando falar.

Pai e filha no Executivo

Por sua vez, Vieira da Silva, que chegou a ser equacionado para as finanças, vai regressar a uma casa que conhece bem, o ministério da Segurança Social e do Trabalho. Foi, aliás, sua a reforma da Segurança Social em 2007 que, ainda hoje, merece elogios.

Mas se o pai é um repetente, a filha, Mariana Vieira da Silva, será uma caloira em matérias governativas, apesar de já conhecer os corredores do poder. Foi adjunta da ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, entre 2005 e 2009, e também, nos dois anos seguintes, adjunta de José Almeida Ribeiro, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, José Sócrates. Mariana Vieira da Silva Integra a comissão política nacional e o gabinete de estudos do PS.

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