Entrada de alunos no ensino superior público aproxima-se dos níveis pré-crise

As 42 958 entradas são o melhor registo deste 2010. Alargamento da escolaridade e confiança das famílias ajudam a explicar

Pelo terceiro ano consecutivo, a 1.ª fase de acesso às universidades e politécnicos públicos registou um aumento de colocados. As 42 958 entradas deste ano aproximam-se dos valores anteriores à crise, sendo o melhor registo desde 2010. Em relação ao ano passado, o concurso de acesso permitiu a entrada a mais 890 alunos, sendo que desde 2014 a diferença é de 5180 alunos.

Para a recuperação contribuíram fatores como o alargamento da escolaridade obrigatória para os 12 anos, que se tornou efetiva em 2012-13, aumentando o número de alunos em condições de concorrer às instituições; e a evolução positiva - sobretudo em 2015 - dos resultados dos Exames Nacionais do secundário. Também a melhoria da confiança em relação à economia trouxe benefícios. Este ano foi o primeiro, desde 2011, em que se registou um aumento no número de vagas colocadas a concurso: 50 688 lugares.

Veja a lista completa de colocados

Durante os quatro anos de intervenção externa, a crise económica afetou a procura de cursos de áreas com níveis de desemprego elevados, como a Arquitetura e Construção Civil e a Engenharia Civil, ditando ajustes. A última melhorou em 2015 e a primeira regista uma ligeira evolução, de mais 31 colocados, na 1.º fase de acesso deste ano, num total de 1200.

Os politécnicos, bastante penalizados face às universidades entre 2011 e 2013, confirmam os sinais de retoma: este ano, as colocações cresceram 3,9%. "São excelentes notícias. Pelo terceiro ano consecutivo foi mantida a tendência de crescimento, constatando-se, assim, um aumento do número global de candidatos colocados, o que é muito positivo", disse Joaquim Mourato, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.

Descarregue a lista de colocados (ficheiro Excel)

No total, as universidades colocaram este ano 26 966 alunos e os politécnicos 15 992, ficando 8022 lugares - menos cerca de 700 do que em 2015 - para a 2.ª fase.

A Universidade de Lisboa foi a que registou mais colocados (7453), sendo que o Instituto Superior Técnico, daquela instituição, teve os dois cursos do país com notas de entrada mais altas (ver página 15). O ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa foi o único a preencher todas as vagas iniciais, com 1109 colocados.

Este ano registou-se uma subida de 2,1% nos colocados. Evolução que o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, elogiou, na presentação dos dados à imprensa, sexta-feira. "Os portugueses estão a estudar mais e isso é muito positivo", referiu, lembrando que "a curva dos candidatos resulta sempre de vários fatores".

Do lado das ações políticas, o governante aponto medidas como "o reforço da ação social escolar" e o "programa + Superior, que vai apoiar os alunos carenciados com uma majoração por escolherem instituições em regiões menos procuradas".

Para o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Cunha, "há um reforço da evolução positiva, que vem já dos dois últimos anos e que é preciso manter". Porém, sublinhou que apesar de "importante, este não é o único método de acesso ao ensino superior".

78 250 entradas esperadas

Pela primeira vez, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior divulgou estimativas globais de colocados em todos os regimes de acesso. Decorridos todos os concursos, são esperadas 78 250 novas entradas, 7400 das quais em cursos técnicos profissionais.

Incluindo o concurso nacional - em três fases -, concursos regionais e locais, maiores de 23 anos, detentores de licenciaturas ou os regimes especiais para atletas ou bolseiros dos PALOP - no fim, todas as instituições de ensino públicas terão entradas acima das vagas disponibilizadas. Ou seja, além das 50 688 vagas do concurso nacional vão ficar ocupadas mais 20 164 que serão criadas adicionalmente.

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