Enologia e microbiologia - um duo vencedor

Laboratório, em Lisboa, onde Rogério Tenreiro trabalha, está aberto a quem quiser testar as suas investigações

No laboratório onde Rogério Tenreiro trabalha cruzam-se várias investigações ao mesmo tempo. Desenvolve o seu trabalho na área da microbiologia no laboratório do edifício TecLabs da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e partilha o espaço e as tecnologias com as outras empresas aqui incubadas e investigadores. "O princípio é que se existe equipamento disponível é preferível que ele seja usado do que estar parado", aponta o investigador.

No espaço partilhado são várias as empresas que procuram soluções para os seus negócios e Rogério Tenreiro e a sua equipa têm respondido a esses desafios. No currículo estão sucessos como vinho e espumante produzido no laboratório. "Criámos leveduras para vinificação e temos orgulho de a Proenol ter aplicado a nossa técnica de levedura. Agora estamos a trabalhar num projeto para criação de vinagre através de soro de pimento", aponta. Não se incomoda de usar a sua ciência para as empresas, já que estas "ficam com o bichinho da transferência da tecnologia". Além disso, "ganhamos trabalho, direcionamos a nossa investigação para as empresas que cofinanciam e a investigação que fazemos é efetivamente útil".

O especialista em microbiologia não abdica no entanto de fazer a investigação de que gosta. "Se não estiver a trabalhar para nenhum projeto ou tiver tempo também faço as minhas investigações." O único limite que sente é na publicação de resultados. "Publicamos em revistas científicas de menor impacto e só quando a empresa entende que não estamos a revelar nenhum segredo." Em termos financeiros: em quatro a cinco anos "tivemos um financiamento de três milhões de euros", refere o investigador.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?