Enfermeiros preparam pré-aviso de greve de cinco dias

Sindicato dos Enfermeiros envia hoje email ao Governo. Segunda-feira, o pré-aviso será formal

O Sindicato dos Enfermeiros está a preparar um pré-aviso de greve para enviar ao Governo. Hoje, segundo explicou ao DN, o presidente da direção, a comunicação será feita por email, mas na segunda-feira, o ministério da Saúde receberá a comunicação oficial.

A paralisação está prevista para a segunda semana de setembro, entre 11 e 15 de setembro, e destina-se a todos os enfermeiros e não apenas aos especialistas, que têm estado em protesto. O Sindicato reclama a aplicação do regime das 35 horas de trabalho semanal para todos, a criação da categoria de enfermeiro especialista com respetivo aumento salarial e de uma hierarquia com diretores de três níveis (se serviços, de conjunto de serviços e de instituição).

Relativamente às remunerações exigidas, José Azevedo esclarece que, atualmente um enfermeiro em início de carreira ganha o vencimento base de 1.200 euros. O objetivo é que venha a ser de 2.020 euros. Um médico em início de carreira ganha, segundo a mesma fonte, 2.746 euros. Um médico assistente (um estudante de medicina a fazer internato), tem como vencimento base 1.853 euros.

O Sindicato tem ainda esperança de que o Governo dê resposta às reivindicações, mantendo o dia 30 como o prazo limite para as negociações.

"Estamos neste impasse, que é um ganhar tempo, uma conveniência política", diz José Azevedo sobre a postura do ministério da Saúde.

A greve anterior, também de cinco dias, esteve agendada para entre 31 de julho de 4 de agosto, mas foi cancelada.

Os enfermeiros de saúde materna e obstetrícia encontram-se desde quinta-feira num protesto de zelo, não desempenhando as funções especializadas pelas quais ainda não são pagos, o que afeta nomeadamente blocos de parto.

Além da saúde materna e obstetrícia, as especialidades de enfermagem atualmente reconhecidas são a enfermagem comunitária, a médico-cirúrgica, a de reabilitação, a de saúde infantil e pediátrica, e a de saúde mental e psiquiátrica.

"Estes enfermeiros fazem a especialização à sua custa. O Estado não investe um cêntimo, mas está a usufruir a título gratuito desta formação paga pelos próprios", denuncia o dirigente sindical

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