Em três anos, vinha de Lisboa conquista uma medalha de ouro

Vinho Corvos de Lisboa recebeu o primeiro prémio do concurso da ViniPortugal. Cultivado junto ao aeroporto, resulta de uma parceria entre a Câmara e a Casa Santos Lima

Três anos. Este foi o tempo que demorou um terreno abandonado a transformar-se no palco de uma vinha lisboeta premiada. Foram nestes terrenos junto ao aeroporto Humberto Delgado que durante 36 meses as vinhas cresceram, amadureceram e transformaram a primeira vindima - em setembro do ano passado - numa colheita premiada. O vinho batizado como "Corvos de Lisboa", da casta Arinto, recebeu a medalha de ouro no concurso de vinhos de Portugal, da ViniPortugal.

A parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Casa Santos Lima dá, assim, os primeiros frutos. Plantada em 2015, a vinha que resultou agora nos "Corvos de Lisboa" foi distinguida entre 1307 vinhos em avaliação. "Esta região vitivinícola merece tudo, tem uma paisagem única", frisa, orgulhoso, o vereador responsável pelo pelouro do Ambiente e Estrutura Verde.

Num ano em que Alenquer e Torres Vedras foram eleitas Cidade Europeia do Vinho, José Sá Fernandes destaca o potencial desta área. "No que diz respeito à relação preço-qualidade, esta deve ser provalvemente a melhor região vitivinícola do mundo; é imbatível."

O autarca realça também a proximidade face à cidade lisboeta."Devem existir muito poucas capitais no mundo, senão nenhumas que têm uma região vitivinícola a vinte minutos de distância como nós temos", relata.

No rescaldo de uma vindima da qual resultaram aproximadamente 19 toneladas de vinho - 14 das castas Touriga Nacional e Tinta Roriz e as restantes de Arinto -, José Luís Oliveira da Silva, presidente do Conselho de Administração da Casa Santos Lima, destaca o retorno ao nível da satisfação não só dos lisboetas como dos turistas portugueses e estrangeiros, com um interesse cada vez maior em conhecerem outras paisagens próximas de Lisboa.
Para o representante da Casa Santos Lima, esta premiação, no maior concurso vitivinícola de Portugal, espelha a aprovação dos especialistas da área perante os resultados desta colheita. "Muito em breve, quando começarmos a comercializar este vinho em grandes superfícies esperamos que seja também do agrado dos consumidores", destaca José Luís Oliveira da Silva.

Nos dois hectares que compõem esta vinha é possível avistar as pistas do Aeroporto de Lisboa. Os representantes da parceria entre a autarquia de Lisboa e a Casa Santos Lima afastam o cenário de possível influência da poluição emitida pelos aviões na qualidade do vinho produzido. "Durante a fermentação das uvas dá-se a eliminação dessas substâncias", garante José Sá Fernandes. A confirmação surge, posteriormente, na análise à uva, à vinificação e ao engarrafamento.

Muitos dos vales da cidade de Lisboa são marcados também por hortas urbanas. Depois de ter sido transformada numa zona verde, a paisagem da vinha do Aeroporto foi completada por uma horta urbana. De acordo com o vereador da Câmara de Lisboa, a adesão tem sido superior à oferta. "Em cada concurso lançado temos quatro vezes mais concorrentes do que parcelas disponíveis para a atribuição", conclui.

Na sequência do sucesso do vinho de Lisboa, Sá Fernandes garante que a ampliação desta vinha está a ser ponderada. O próximo passo será a criação de um grande pomar, capaz de promover a fruta produzida nos concelhos da região Oeste.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.