"Em Fátima estou em paz"

Fiéis como José Cunha procuram no santuário um encontro espiritual

Hotéis renovados, uma imagem bastante positiva e difundida em zonas onde não chegava a mensagem de Fátima. Um ano após o centenário das aparições, cerimónia marcada pela visita do Papa Francisco e pela canonização de Francisco e Jacinta Marto, a face do turismo religioso em Fátima mudou. E muito, como estão a comprovar os peregrinos que chegam à localidade para participar na comemoração das aparições, no dia 13.

Um fim de semana em que os fiéis vão procurar um encontro espiritual. Como José Cunha, que, à Lusa, disse sentir-se ali em paz.

Para Alexandre Marto, presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO), é inegável o impacto mediático extraordinário que a visita papal teve, principalmente junto do mundo católico. O dirigente da ACISO salientou à Lusa que a projeção ocorreu não só a 13 de maio como em todos os dias de 2017. "Tivemos visitas não habituais de países que reforçaram as suas vindas, de peregrinações de dioceses longínquas que escolheram esse ano para vir cá, com a imprensa a dar uma importância a Fátima não apenas na presença do Papa mas durante o resto do ano." Destaque também para a importância de filmes, livros, programas de televisão e diversas produções multimédia nacionais e estrangeiras que ajudaram a divulgar a imagem de Fátima.

A enchente de turistas e os preços elevados praticados em Lisboa beneficiam não só a hotelaria de Fátima como a de todo o território português. De acordo com o presidente da ACISO, a sazonalidade de Fátima é menor, sendo mais esbatida, existindo cada vez menos hotéis fechados em época baixa.

Segundo Alexandre Marto, no desenvolvimento motivado pelo centenário das aparições apenas ficou por fazer a "requalificação urbana de três entradas de Fátima, de Aljustrel e de algumas zonas da cidade-santuário".

Peregrinos já em Fátima

Nos últimos dias, começaram a chegar a Fátima os fiéis para as comemorações de 12 e 13 de maio. Nas imediações do santuário já se avistam acampamentos de peregrinos, assim como diversas autocaravanas estacionadas. Ainda assim, sobram muitos lugares, contrastando com a paisagem registada no ano passado.

Na companhia da mulher, José Cunha, de Vizela, instalou-se atempadamente para acompanhar as celebrações religiosas. Esta não é a primeira vez que o peregrino se desloca à cidade-santuário, local onde afirma sentir-se bem e em paz. Por seu turno, a mulher cumpre uma promessa que cumpre depois de ter ultrapassado um problema nos pés. José questiona se a cura terá sido por milagre, coincidência ou medicamentos, respondendo à sua própria pergunta, de seguida: "Não sei explicar."

A peregrinação ao santuário será presidida pelo cardeal John Tong, bispo emérito de Hong Kong. Amanhã, as cerimónias vão começar às 18.30, na Capelinha das Aparições. Três horas mais tarde é rezado o terço, seguido da procissão das velas e da missa. No domingo decorrerá, a partir das dez horas, a missa, bênção dos doentes e procissão do adeus.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?