Em 2012 a Câmara do Porto realojou 16 famílias

A Câmara do Porto realojou até agora "cerca de 127 famílias" do bairro do Aleixo (mais 16 do que há um ano) e avançou com quatro empreendimentos na Baixa para reinstalar os moradores, revelou fonte da autarquia.

No bairro, em que chegaram a morar 1.300 pessoas e onde há um ano foi demolida a primeira de cinco torres, restam agora cerca de 200 famílias (o equivalente a 600 pessoas), de acordo com as contas feitas pela Lusa com base em dados fornecidos pela autarquia.

No âmbito do projeto desenhado pela Câmara, "cerca de 40" famílias não tiveram direito a realojamento, por se considerar não cumprirem os requisitos de atribuição de habitação municipal, adiantou à Lusa o gabinete de comunicação da autarquia.

"Até ao momento foram realojadas cerca de 127 famílias", disse a mesma fonte, adiantando em 2013 a Câmara prevê "demolir uma ou duas torres", em vez das quatro que há um ano o autarca dizia ser sua intenção deitar abaixo até ao fim do mandato.

Mouzinho da Silveira, Fernão de Magalhães, Musas e Leal foram os locais escolhidos para instalar quatro "empreendimentos" na Baixa da Cidade, com vista a acolher os residentes.

A informação enviada à Lusa pela Câmara não refere tratar-se de 300 habitações, dizendo apenas que "relativamente aos projetos será possível dizer o seguinte", para logo elencar o ponto de situação de quatro "empreendimentos".

O de Mouzinho da Silveira e o da Rua das Musas, "em fase de adjudicação", têm a "consignação [entrega ao empreiteiro] da obra" prevista "até ao final deste ano", diz a autarquia.

Na rua Fernão de Magalhães e no Leal, os projetos estão "em conclusão", prevendo-se "a consignação da obra" em março e abril de 2013, respetivamente, acrescenta o município.

A proposta aprovada em reunião camarária de 17 de novembro de 2009, com vista à constituição de um Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) para demolir o Aleixo, previa a construção de 300 habitações sociais no concelho em três terrenos e edifícios para reabilitar no centro histórico cedidos pela Câmara.

No bairro que agora tem apenas quatro torres de 13 andares, viviam no início do processo cerca de 960 pessoas distribuídas por 320 fogos, escrevia a revista da autarquia em outubro de 2008.

Em 2001, quando o então presidente da autarquia, Nuno Cardoso anunciou a intenção de demolir o complexo habitacional, contabilizavam-se 1.300 moradores.

Há um ano, a vereadora da Habitação revelou à Lusa terem sido realojadas 110 famílias (60 da torre 5 e 50 de outras torres), mantendo-se no bairro 220 agregados (o equivalente a cerca de 660 pessoas).

Os realojamentos aconteceram na freguesia de Lordelo do Ouro, nomeadamente nos bairros de "Lordelo, Pinheiro Torres e Pasteleira", acrescentou.

Construído há 38 anos, o bairro do Aleixo esteve sempre associado ao tráfico e consumo de droga, que ainda hoje se mantêm, mesmo durante o dia, constatou esta semana a Lusa no local.

A atual maioria PSD/CDS na Câmara do Porto decidiu criar um Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) para demolir o bairro com a ajuda de privados.

Em julho, foi aprovado um aumento da participação autárquica no FEII e a entrada do ex-futebolista e treinador António Oliveira no negócio.

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