Elisa Ferraz é o rosto da "mudança que Vila do Conde ansiava"

"Liberdade" foi a palavra que se ouviu muito na festa da vitória da presidente de Câmara reeleita que põe fim a quatro décadas de PS no concelho. "O povo reconheceu o trabalho", diz a autarca

Era cerca de meio-dia quando Elisa Ferraz entrou ontem no edifício da Câmara de Vila do Conde. Já conhece bem a cadeira da presidência que ocupou nos últimos quatro anos, mas agora a eleição tem outro sabor. Foi como independente e provoca uma mudança histórica no concelho, após 43 anos de poder do PS. Foi um triunfo categórico, com maioria absoluta e conquista das mais importantes juntas de freguesia. "Aconteceu algo de extraordinário. Este projeto nasceu em três meses", disse ao DN, após uma madrugada de "uma felicidade enorme a festejar a vitória que para muitos era impensável". "Nem no São João ou no casamento do meu filho me deitei tão tarde."

Para os vilacondenses, é o fim de um ciclo que teve em Fernando Gomes e, sobretudo, em Mário Almeida os principais rostos. Elisa Ferraz também chegou à presidência pela mão do PS e explica a mudança, dela e dos eleitores, com uma nova política de maior proximidade, maior atenção e de tratamento igual de todos. "Nunca andei a apregoar aos quatro ventos mas nunca fui filiada no PS. Concorri nas listas do PS como independente, sempre", realça, para explicar que não vai voltar a falar no que está para trás. "Penso pela minha cabeça, tomo as minhas decisões, agi de acordo com aquilo que delineei. E aí surgiram algumas dificuldades. Mas o povo reconheceu o trabalho e disse que queria que continuássemos".

Foi eleita com mais de 21 mil votos e todos os outros partidos perderam, sobretudo o PSD. "Em Vila do Conde ansiava-se pela continuidade do meu trabalho", avalia, enquanto recorda que a abstenção também baixou para 37,5%.

Na festa do movimento NAU (Nós Avançamos Unidos) ouviu-se muito a palavra liberdade e até havia apoiantes de Elisa Ferraz que falavam num segundo 25 de Abril em Vila do Conde. Ontem com uma solarenga manhã, no banco de jardim, junto ao mercado municipal, Joaquim Ferreira, 86 anos, garante que "já esperava e desejava". Confessa "votar sempre na CDU". Mas "os vilacondenses queriam acabar com o mario almeidismo", disse, em alusão a Mário Almeida e ao PS. "Foram 40 anos a mandar e estava outra vez por detrás do PS. A Elisa em quatro anos fez melhor do que ele nos 30 e tal anos", resume. Na zona ribeirinha, José Ramos estava "muito contente". Por a presidente "ser uma mulher a 100%, com muita personalidade, e que está perto das pessoas".

A presidente reeleita, que viveu momentos difíceis com a morte do marido há quatro meses, admite que o seu percurso de vida, como mulher, professora e fundadora de associação de apoio aos deficientes, é reconhecido. "Prefiro a simplicidade. Gosto de conduzir o meu carro, de ir tomar café onde toda a gente vai, ir às compras ao supermercado." E deixa o mote para o futuro: "Não espero nada da política a não ser servir. Trabalhar com todos e para todos."

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...