Edgar Silva pede "atrevimento" para conquistar os votos de "amantes da liberdade"

Ninguém bate a "força do PC" e isso viu-se este domingo, com o maior comício, até agora, de todas as campanhas no terreno. Jerónimo mantém a pressão sobre o PS. Edgar Silva apelou ao "reforço da esperança que se abriu a 4 de outubro".

"Muita ousadia e atrevimento" foi o que Edgar Silva pediu este domingo aos mais de seis mil apoiantes que o ouviram e aplaudiram, no comício, no Centro de Congressos de Lisboa, o maior de todas as campanhas, até ao momento. O desafio lançado tem por objetivo conquistar " o maior número possível de votos", que "impeçam" Marcelo Rebelo de Sousa de ganhar à primeira volta das presidenciais, como têm indicado as sondagens.

"Nada está decidido", frisou, "o povo ainda não votou e, por isso, vos peço, nesta última semana, muita ousadia e atrevimento, para irem ter com vizinhos, amigos, conhecidos, todos que vocês sabem serem amantes da liberdade e da democracia e que exigem que isto dê a volta. Vão ter com eles e mobilizem-nos para que abril possa triunfar, para que a esperança que se abriu no dia 4 de outubro, com a derrota da direita, possa ser reforçada no dia 24".

Com a campanha a entrar na última semana, este apelo tem sido feito em todas a intervenções do candidato, que vê a mobilização em torno da sua campanha a crescer, "a agigantar-se num poderoso coletivo cheio de energia". Facto que também foi destacado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo Sousa. "Andam para aí a dizer que a campanha está a ser pouco participada. Pois aqui estamos. Para cima de seis mil", anunciou.

Jerónimo não quis tirar os holofotes de Edgar Silva, mas aproveitou para deixar claro que o PCP não "descansa" à sombra do acordo de esquerda. Para o líder dos comunistas, é possível concluir que, "quando se passaram 100 dias da derrota da direita nas eleições, conseguiram-se compromissos que já permitiram avanços e conquistas para os trabalhadores, com a reposição de rendimentos e direitos". Contudo, assinalou, "importa consolidar esse avanço, pois algumas das medidas tomadas não foram tão longe como o PCP propôs ou como a situação impunha". "Não estamos a pedir "tudo" de uma vez, como alguns criticam. Estamos a exigir apenas o que foi roubado aos trabalhadores".

Marcelo também esteve bem presente na sua intervenção, "esse candidato que PSD e CDS querem ver na Presidência da República e que, na esteira de Cavaco Silva, vem defender um pacto de regime para eternizar a política de direita e manter no poder para sempre os seus defensores".

Neste comício, Edgar Silva, ao contrário do que aconteceu há uma semana no Porto, discursou de improviso, só com uma folha com meia dúzia de tópicos. Tendo em conta a dimensão do evento que tinha pela frente, não deixa de ser um sinal de confiança que lhe está a dar a direção partidária. Jerónimo preferiu trazer o discurso escrito.

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