"Não podemos deixar parar história que começou a 4 de outubro"

O candidato apelou, nos bastiões comunistas da margem sul, a uma "militância redobrada"

Não há janela, soleira de porta, automobilista parado no semáforo, loja, café, com uma pessoa que seja, de que Edgar Silva não se aproxime, cumprimente e peça que vá votar. "Votar bem, porque esta é a candidatura da esperança e não podemos deixar parar a história que começou a 4 de outubro, uma esperança que tem de ter continuidade, na defesa dos direitos dos trabalhadores", afiança.

Por vezes, para desespero dos apoiantes que bem gritam "Edgar avança, com toda a confiança" (uma das palavras de ordem da campanha), escapule por ruelas, atravessa a estrada de repente e até corre para ir ao encontro de mais alguém. "Está tudo bem senhor?", pergunta uma senhora idosa da janela do r/c. "Não me chame senhor, sou Edgar", responde o candidato pegando-lhe nas mãos, quase tocando sorrisos.

Na candidatura, esta segunda semana de campanha arrancou com um máxima, a qual tem sido repetida por Edgar Silva em todas as suas intervenções: "Mobilizar, mobilizar, mobilizar!". "Este contacto pessoal, próximo, é a mais valia do Edgar", salientava ao DN um dos membros da equipa do PCP que o apoia, a justificar mais uma das várias "escapadelas" da volumosa caravana que percorreu ontem, o final da tarde, a rua principal da Cruz de Pau, no Seixal. "Sabem quem é este senhor?", perguntava a duas mulheres, apanhadas no passeio pela ruidosa multidão, a determinada Corália Marques, mandatária concelhia e vereadora da Câmara do Seixal, com Edgar ao lado. "Da televisão..." respondeu uma das senhoras, meio intimidada. Corália resume-lhes a história de vida de Edgar, a sua "luta, que não é de agora" contra pobreza, o seu trabalho com as crianças, no Funchal. "Não sabia que ele tinha feito isso tudo... vou pensar", prometeu uma das mulheres.

Quando faltam só dois dias para a campanha, este esforço de conquistar voto a voto, é a derradeira estratégia dos comunistas no terreno, com todas as sondagens a darem a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa à 1ª volta. "Apelo à vossa indispensável generosidade e incansável militância até domingo", lançou aos apoiantes no Barreiro. "Há votos de muita gente que ainda é possível ganhar para esta candidatura de abril", salientou, desvalorizando as sondagens que "não traduzem este crescendo de apoios, de energias que temos observado todos os dias nas ruas. "O povo é que decide e o povo ainda não decidiu", afirmou. Edgar Silva empenha-se e não mostra cansaço. "Era capaz de começar a campanha toda outra vez", confessou ao DN, durante a primeira arruada do dia. E lá seguiu, passo ligeiro, quase a correr para mais um beijinho.