É oficial. Marisa Matias é candidata a Belém

É eurodeputada desde 2009, tendo sido cabeça de lista do Bloco de Esquerda nas eleições europeias de 2014

O anúncio foi feito pela porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, no final da reunião da Mesa Nacional do BE que aprovou, por unanimidade, a resolução política que indicou Marisa Matias como candidata presidencial.

A opção bloquista "não é uma crítica" às candidaturas já existentes na área da esquerda, mas "o reconhecimento de que não está a existir a mobilização" necessária para derrotar o candidato da direita, Marcelo Rebelo de Sousa, explicou Catarina Martins.

"É uma irresponsabilidade estender uma passadeira vermelha a um comentador televisivo" com posições "retrógradas", argumentou a líder do BE.

A Mesa Nacional decidiu igualmente "a inviabilização de qualquer moção de rejeição" apresentada por PSD e CDS, assim como apresentar uma moção de rejeição do programa de governo da coligação de direita.

Única candidata do Bloco eleita para o Parlamento Europeu, Marisa Matias toca vários instrumentos em Bruxelas e Estrasburgo: é vice-presidente da comissão sobre as decisões fiscais antecipadas e outras medidas de natureza ou efeitos similares (fraude e evasão fiscais), coordenadora do grupo parlamentar na comissão de assuntos económicos e monetários, presidente da delegação do PE para as relações com os países do Maxereque ( Jordânia, Líbano, Síria, Egito). Integra ainda as comissões de indústria, investigação e energia enquanto membro suplente.

"São áreas que exigem muita dedicação" e são "todas desafiantes. Não consigo escolher uma porque todas são centrais na vida dos cidadãos europeus", disse Marisa Matias ao DN, em maio passado.

Candidatos com tradição

A eurodeputada, natural de Coimbra, 39 anos, é ainda vice-presidente do Partido da Esquerda Europeia, em que se integra o BE e que forma o grupo parlamentar GUE/NGL juntamente com a Esquerda Nórdica Verdes.

Na década e meia de existência do BE, nascido em 1999 da junção entre o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a Política XXI, Fernando Rosas - um dos fundadores com Francisco Louçã e Miguel Portas - foi o primeiro candidato presidencial do partido.

Tal sucedeu nas eleições presidenciais de 2001, em que o historiador ficou em quarto lugar com 3% (correspondentes a 129 840 votos).

Cinco anos depois, em que Cavaco Silva foi eleito Presidente da República, o BE apresentou outro fundador - Francisco Louçã - como candidato. O economista ficou em quinto lugar, com 5,32% (292 198 votos). Além de Cavaco, o economista ficou atrás dos socialistas Manuel Alegre e Mário Soares, bem como do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Em 2011, Manuel Alegre perdeu para Cavaco Silva, tendo obtido 19,76% (832 637 votos).

Para o atual ciclo eleitoral, o BE era visto como apoiante do ex-líder sindical Carvalho da Silva, cuja candidatura acabou por não se confirmar. Mas o resultado das legislativas e a existência de candidatos na área do PS - Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém - e do PCP, Edgar Costa, justificaram a opção de avançar com um nome próprio

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João Gobern

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