"É compatível" formação dura com mecanismos preventivos de mortes

Ministro da Defesa escusou-se a comentar punição disciplinar aplicada a sargento instrutor dos Comandos.

Azeredo Lopes disse esta segunda-feira que o atual curso de Comandos demonstra que "é possível" manter a formação "muito exigente" com uma redução significativa dos riscos de morte ou lesões graves nos instruendos.

"É perfeitamente compatível a exigência, a dureza da formação e o estabelecimento de mecanismos mais competentes, mais preventivos a todos os níveis da formação", afirmou o ministro da Defesa, à margem da cerimónia dos 43 anos da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) e a propósito da punição aplicada a um sargento instrutor do curso anterior, em que morreram dois militares e uma dezena teve de ser internada.

Trata-se de "evitar a repetição ou a ocorrência de factos que numa democracia não são aceitáveis" e que, neste caso, são a ausência de "avaliação serena" ao que provocou a morte ou lesões graves nos instruendos para posterior correção, sublinhou Azeredo Lopes.

As novas regras "permitem detetar mais cedo" os sinais que antecipam problemas de saúde dos instruendos "mantendo a exigência" da formação, adiantou o governante.

Recorde-se que o atual curso, iniciado a a 7 de abril, provocou já a desistência de 40 dos instruendos e quatro dos cinco que apresentaram níveis de toxicidade elevados foram internados, dos quais só um tinha já sintomas de rabdomiólise (causa das mortes e internamentos no curso anterior), indicou fonte do Exército citada pela Lusa.

Segundo a Lusa, um primeiro-sargento instrutor do anterior curso de Comandos foi punido pelo chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) com a pena de "proibição de saída" da unidade durante 10 dias, no âmbito do processo disciplinar instaurado pelo ramo.

O general Rovisco Duarte, que se escusou a falar do caso na sede da ADFA, negou provimento ao recurso apresentado em janeiro pelo militar e confirmou a sanção.

Quanto aos recursos hierárquicos apresentados pelos dois oficiais objeto de processos disciplinares, o CEME solicitou ao Comandante das Forças Terrestres para esclarecer alguns detalhes e aguarda resposta para proferir a decisão, adiantou fonte do Exército.

Recorde-se que em setembro passado morreram dois militares logo na fase inicial do 127º curso de Comandos, o que deu origem a um inquérito disciplinar no Exército, a outro processo criminal mo Ministério Público e uma inspeção extraordinária para analisar o teor do curso e fazer as correções aconselhadas.

Ler mais

Exclusivos

Opinião

DN+ João

Os floristas da Rua da Alegria, no Porto, receberam uma encomenda de cravos vermelhos para o dia seguinte e não havia cravos vermelhos. Pediram para que lhes enviassem alguns do Montijo, onde havia 20, de maneira a estarem no Porto no dia 18 de julho. Assim foi, chegaram no dia marcado. A pessoa que os encomendou foi buscá-los pela manhã. Ela queria-os todos soltos, para que pudessem, assim livres, passar de mão em mão. Quando foi buscar os cravos, os floristas da Rua da Alegria perguntaram-lhe algo parecido com isto: "Desculpe a pergunta, estes cravos são para o funeral do Dr. João Semedo?" A mulher anuiu. Os floristas da Rua da Alegria não aceitaram um cêntimo pelos cravos, os últimos que encontraram, e que tinham mandado vir no dia anterior do Montijo. Nem pensar. Os cravos eram para o Dr. João Semedo e eles queriam oferecê-los, não havia discussão possível. Os cravos que alguns e algumas de nós levámos na mão eram a prenda dos floristas da Rua da Alegria.

Opinião

DN+ Quem defende o mar português?

Já Pascal notava que através do "divertimento" (divertissement) os indivíduos deixam-se mergulhar no torpor da futilidade agitada, afastando-se da dura meditação sobre a nossa condição finita e mortal. Com os povos acontece o mesmo. Se a história do presente tiver alguém que a queira e possa escrever no futuro, este pobre país - expropriado de alavancas económicas fundamentais e com escassa capacidade de controlar o seu destino coletivo - transformou 2018 numa espécie de ano do "triunfo dos porcos". São incontáveis as criaturas de mérito duvidoso que através do futebol, ou dos casos de polícia envolvendo tribalismo motorizado ou corrupção de alto nível, ocupam a agenda pública, transformando-se nos sátiros da nossa incapacidade de pensar o que é essencial.

Opinião

DN+ A Cimeira da CPLP em Cabo Verde: a identidade e o poder pelo diálogo

Não é possível falar da CPLP sem falar de identidade. Seja ela geográfica e territorial, linguística, económica, cultural ou política, ao falarmos da CPLP ou de uma outra sua congénere, estaremos sempre a falar de identidade. Esta constatação parece por de mais óbvia e por de menos necessária, se não vivêssemos nos tempos em que vivemos. Estes tempos, a nível das questões da identidade coletiva, são mais perigosos do que os de antigamente? À luz do que a humanidade já viveu até agora, não temos, globalmente, o direito de afirmar que sim. Mas nunca como agora foi tão fácil influenciar o processo de construção da identidade de um grupo, de uma comunidade e, inclusivamente, de um povo.