"É compatível" formação dura com mecanismos preventivos de mortes

O ministro da Defesa (à esquerda) com o presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, José Arruda

Ministro da Defesa escusou-se a comentar punição disciplinar aplicada a sargento instrutor dos Comandos.

Azeredo Lopes disse esta segunda-feira que o atual curso de Comandos demonstra que "é possível" manter a formação "muito exigente" com uma redução significativa dos riscos de morte ou lesões graves nos instruendos.

"É perfeitamente compatível a exigência, a dureza da formação e o estabelecimento de mecanismos mais competentes, mais preventivos a todos os níveis da formação", afirmou o ministro da Defesa, à margem da cerimónia dos 43 anos da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) e a propósito da punição aplicada a um sargento instrutor do curso anterior, em que morreram dois militares e uma dezena teve de ser internada.

Trata-se de "evitar a repetição ou a ocorrência de factos que numa democracia não são aceitáveis" e que, neste caso, são a ausência de "avaliação serena" ao que provocou a morte ou lesões graves nos instruendos para posterior correção, sublinhou Azeredo Lopes.

As novas regras "permitem detetar mais cedo" os sinais que antecipam problemas de saúde dos instruendos "mantendo a exigência" da formação, adiantou o governante.

Recorde-se que o atual curso, iniciado a a 7 de abril, provocou já a desistência de 40 dos instruendos e quatro dos cinco que apresentaram níveis de toxicidade elevados foram internados, dos quais só um tinha já sintomas de rabdomiólise (causa das mortes e internamentos no curso anterior), indicou fonte do Exército citada pela Lusa.

Segundo a Lusa, um primeiro-sargento instrutor do anterior curso de Comandos foi punido pelo chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) com a pena de "proibição de saída" da unidade durante 10 dias, no âmbito do processo disciplinar instaurado pelo ramo.

O general Rovisco Duarte, que se escusou a falar do caso na sede da ADFA, negou provimento ao recurso apresentado em janeiro pelo militar e confirmou a sanção.

Quanto aos recursos hierárquicos apresentados pelos dois oficiais objeto de processos disciplinares, o CEME solicitou ao Comandante das Forças Terrestres para esclarecer alguns detalhes e aguarda resposta para proferir a decisão, adiantou fonte do Exército.

Recorde-se que em setembro passado morreram dois militares logo na fase inicial do 127º curso de Comandos, o que deu origem a um inquérito disciplinar no Exército, a outro processo criminal mo Ministério Público e uma inspeção extraordinária para analisar o teor do curso e fazer as correções aconselhadas.

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