Distribuição de preservativos longe de níveis pré-crise

Em 2017, foram distribuídos 4,7 milhões de preservativos. Aumento é contínuo desde 2013, mas ainda longe dos valores de 2011

As autoridades de saúde distribuíram, em 2017, mais de 4,7 milhões de preservativos. Um dado positivo, se comparado com os de 2016, mas ainda aquém do desejado se olharmos para a quantidade de preservativos distribuídos em 2011, ano do pedido de ajuda financeira, em que se distribuíram 5,4 milhões destes contracetivos.

Analisando os números divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), a propósito do Dia Internacional do Preservativo, que hoje se celebra, é notória uma quebra na distribuição a partir de 2008 (ver infografia). Nesse ano, foram distribuídos 7,4 milhões de preservativos. Desde então, foi sempre a descer até chegar ao mínimo de 2,4 em 2012. "O acesso ao preservativo masculino tem vindo a aumentar de forma consistente desde 2013", sublinha a nota da DGS.

A DGS garante que a aposta é continuar a aumentar a distribuição. "Fizemos um concurso que nos foi mais favorável, ganhámos economia de escala e pretendemos assim otimizar as condições e adquirir os preservativos para termos maior capacidade de distribuição", explica Isabel Aldir, diretora para a área das hepatites virais e para a área da infeção VIH/sida e tuberculose.

Admitindo que é difícil perceber quantos preservativos seria necessário distribuir para responder a todas as necessidades, a responsável está confiante que "em 2018 voltemos a aumentar o número de preservativos distribuídos e que acima de tudo consigamos que cada pessoa que precisa tem acesso ao mesmo".

É a DGS que distribui os preservativos para várias entidades - "serviços de saúde, estabelecimentos, festivais de verão, e também em contextos informais da sociedade civil" - e, embora não deixe ninguém sem resposta, nem sempre consegue satisfazer a totalidade dos pedidos. "Fazemos isso para precisamente não deixarmos de ter capacidade de resposta. Também sabemos e compreendemos, embora não seja o desejável, que por causa de não conseguirmos cumprir a totalidade dos pedidos, muitas vezes, as entidades pedem mais do que precisam. Por exemplo, pedem 200 mil quando precisam apenas de cem mil e nós entregamos os cem mil", justifica Isabel Aldir.

Daí que seja difícil fazer uma estimativa que quantos são mesmo necessários para responder às necessidades. Isabel Aldir não tem dúvidas de que esse número só se saberá "se entregarmos todos os preservativos que nos pedem". E garante que esse é o objetivo da DGS.

Entre as entidades que recebem e distribuem preservativos então os centros de saúde. Sendo que o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar não se recorda de problemas de distribuição de contracetivos nos centros de saúde e mostra-se mesmo espantado com a quebra acentuada no início da década. Para Rui Nogueira, o maior problema é mesmo convencer os utentes sobre a necessidade de usar preservativo. "E não só por questões de contraceção", explica, "mas até mais por proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. Temos de ser nós a relembrar isso, todas as semanas tenho pelo menos um caso desses na consulta".

Já o preservativo feminino não tem a mesma procura. Estão a ser distribuídos pouco mais de 110 mil. "Não tem a mesma divulgação e aceitação por parte das pessoas", admite Isabel Aldir.

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