Dispositivo naval da Marinha reforçado a partir de meados de 2018

Mais dois navios de patrulha oceânica, em construção nos estaleiros de Viana do Castelo, vão integrar frota do ramo naval das Forças Armadas.

O secretário de Estado da Defesa anunciou esta segunda-feira, em Viana do Castelo, que o dispositivo naval da Marinha vai ser reforçado a partir de meados de 2018 com dois navios-patrulha oceânicos (NPO), em construção nos estaleiros da WestSea.

"O primeiro navio será entregue em junho de 2018 e o segundo em dezembro de 2018. Estes navios que aqui estão a ser construídos são navios na linha de dois que já estão ao serviço da Marinha, que cumprem de forma muito eficiente a sua missão. Um deles está, neste momento, ao serviço nos Açores. São dois patrulhas já construídos aqui nos estaleiros navais de Viana do Castelo", afirmou Marcos Perestrello.

O governante, que falava durante a visita aos estaleiros da WestSea para fazer um ponto de situação da construção dos dois NPO, adiantou que a "expectativa" do Governo é o de dar continuidade ao plano de modernização da Marinha.

"O nosso desejo é continuar a construção de navios desta linha. Esperamos ter essa capacidade, esperamos que o Estado tenha a capacidade financeira e orçamental de continuar este programa para que a Marinha fique equipada com navios com grande capacidade oceânica", disse, adiantando que "cada navio ronda um investimento público de 35 milhões de euros".

Além da "capacitação da Marinha para garantir uma adequada fiscalização e salvaguarda dos mares, o governante destacou o alcance daqueles navios como "um instrumento importante de internacionalização da indústria nacional".

"Este navio tem condições para vir a ser projetado para outros países e para outras Marinhas mas para que isso aconteça é preciso que ele funcione bem, em primeiro lugar, na nossa Marinha", sustentou.

A construção dos dois NPO nos estaleiros da WestSea foi anunciada em maio de 2015 pelo então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Em julho desse ano, o consórcio liderado pela Martifer ganhou o contrato para a construção dos dois NPO, depois de a Marinha ter sido autorizada a adquirir os dois navios-patrulha "por negociação" e não por concurso face à "urgência imperiosa" de dispor das embarcações até 2018.

De acordo com a resolução 35-A/2015 do Conselho de Ministros, publicada no dia 09 de junho, "a adoção de um procedimento concorrencial revela-se incompatível com a urgência imperiosa associada à salvaguarda dos interesses públicos".

Estes navios integravam uma encomenda inicial de oito, assumida em 2004 pelo Ministério da Defesa então liderado por Paulo Portas, para substituir a frota de corvetas da Marinha com 40 anos de serviço, mas entretanto revogada em 2011 pelo Governo PSD/CDS.

O secretário Estado da Defesa referiu que o Governo está a "trabalhar" na revisão daquele plano inicial, "que "sofreu muitas derrapagens" e que tem de ser adaptado "às mudanças estratégicas e conjunturais que se verificaram"

"Temos que trabalhar num novo quadro que nos permita reforçar as capacidades da Marinha mas ter em conta a dinâmica internacional no plano da conjuntura orçamental e no plano da estratégia de afirmação dos nossos interesses no mar", sustentou.

Questionado pela Lusa, Marcos Perestrello afirmou que o Governo ainda não definiu "o número exato de navios que vão ser construídos" e revelou que o custo das embarcações será também reavaliado.

"A nossa expectativa neste processo de revisão do plano é sermos capazes de, com as experiências adquiridas, fazer uma revisão dos projetos de forma a sermos capazes de construir o navio com menos custos para o Orçamento de Estado", acrescentando que esse plano contemplará "a internacionalização" destes navios.

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