Discurso de Adolfo Mesquita Nunes recebido com entusiasmo

A intervenção em Lamego do dirigente que assumiu publicamente há semanas ser homossexual foi interrompido várias vezes por aplausos

Fortes ataques à esquerda - "socialistas, comunistas e trotsquistas" - e um agradecimento à amizade de Assunção Cristas levaram hoje os participantes do 27º congresso nacional do CDS, em Lamego, a saudar de pé, aplaudindo, o final do discurso de Adolfo Mesquita Nunes, dirigente que vai dirigir a preparação do programa com que o partido se apresentará nas próximas eleições legislativas.

"É tão engraçado esta esquerda que está sempre a falar de liberdade e não aceita a liberdade dos outros" foi uma das frases de Adolfo Mesquita Nunes que mais apoio suscitou entre os congressistas.

A chamada ao palco do dirigente - vice-presidente de Assunção Cristas na direção do partido - foi recebida com aplausos frios mas depois o dirigente conseguiu entusiasmar as plateias com a sucessão de ataques que fez à maioria de esquerda.

Mesquita Nunes disse, por exemplo, que o PCP apoia "ditaduras totalitárias e assassinas", que "os sindicatos estão ao serviço do Partido Comunista" e que o Bloco de Esquerda "acha que as empresas não podem dar lucro". "Então para que servem [as empresas]? É para dar prejuízo?", interrogou-se, veementemente. E quanto ao PS, acrescentou que hoje muitos jornalistas lhe perguntaram se precisa de ser libertado da necessidade de se socorrer dos apoios do BE e do PCP. Respondendo: "Se o PS quer ser resgatado que chame a policia, não chame o CDS!"

Aplausos foi também o que o dirigente centrista recebeu quando, falando do patronato, disse que o CDS não é "o partido dos empresários encostados do Estado" mas sim "dos empresários que querem subir na vida e não são filhos ou sobrinhos de ninguém". E acrescentou: "É preciso dizer aos empresários que se queixam de não ter trabalhadores para o emprego que oferecem: paguem melhores ordenados!"

Quanto à tarefa que o aguarda, assumiu a ambição de fazer um "programa para ganhar as eleições". O CDS - acrescentou - é "a grande casa da direita", "a primeira e descomplexada escolha do centro e da direita em Portugal" e o que motiva o partido "é o amor à liberdade".

No final, quando agradeceu a amizade que lhe dá Assunção Cristas, quase toda a plateia se levantou para o aplaudir.

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