Diretora escolar plagiou projeto quando se candidatou mas continua com o lugar

Das 27 páginas do projeto, pelo menos 10 eram cópia literal do de uma candidata à mesma posição noutro argupamento. Mas a dirigente escolar de Grândola continua em funções.

A dirigente escolar do novo agrupamento de escolas de Grândola venceu o concurso para o seu lugar com um projeto que era, pelo menos em parte, plagiado. Ângela Filipe continua a exercer funções na posição para que foi escolhida em maio do ano passado, apesar da descoberta de que copiou pelo menos 10 das 27 páginas do seu projeto de candidatura, revela esta sexta-feira o jornal i.

Ângela Filipe foi eleita dirigente do novo megagrupamento em maio de 2014, com 15 votos de 21 possíveis, contra apenas uma outra candidata. Desde então, foi confirmado que plagiou pelo menos parte do projeto de intervenção que apresentou: 10 das 27 páginas do documento eram cópia literal do projeto apresentado por uma candidata à mesma posição num agrupamento vizinho.

O plágio começou por ser denunciado pela candidata preterida para o megagrupamento de Grândola, Suana Camacho, e por um membro do Conselho Geral do agrupamento. O diretor-geral dos Estabelecimentos Escolares ordenou que fosse aberto um inquérito, que confirmou que parte do projeto de Ângela Filipe era copiada do projeto de outra pessoa.

Ângela Filipe confirmou que o documento da candidata do outro agrupamento tinha servido de "inspiração", justificando-se com "falta de tempo" que não lhe permitiu "rever a contextualização". Esclareceu ainda que apenas parte das medidas eram copiadas. A diretora disse que tentou apresentar demissão à Delegação Regional de Educação do Alentejo, mas este órgão não aceitou, e terá "insistido", cita o jornal i, para que Ângela Filipe permanecesse em funções. A sua eleição não foi homologada, mas a dirigente também não foi retirada do posto.

O inquérito acabou por ser arquivado sem que existam sanções, apesar do plágio confirmado. No entanto, um grupo de docentes, em abaixo-assinado datado de 1 de março deste ano, manifesta preocupação com a "degradação progressiva do clima e da qualidade de vida organizacional". O texto dos professores apela a que o Ministério da Educação escolha uma nova direção.

Esse processo foi retomado, conta o i, e foi publicado em Diário da República uma nova abertura do concurso, e no final de junho, quando terminaram os prazos de candidatura, havia apenas um candidato. Três dias depois, porém, foi decidido que esse candidato não podia ser admitido ao cargo, por falta de habilitações para as funções, o que fez com que o candidato acabasse por retirar a sua intenção de se tornar diretor. Ângela Filipe permanece, portanto, na direção do agrupamento de escolas de Grândola.

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