Dez mil professores mudam de escola e 1471 entram nos quadros

Lista de colocações do concurso de professores interno (para os quadros) e externo (de vinculação) foi publicada hoje. Professores têm cinco dias úteis para aceitar a colocação.

Um terço dos professores dos quadros que queria mudar de escola ou área geográfica vai fazê-lo no próximo ano letivo. Ou seja, 10 359 docentes. Ao mesmo tempo entram nos quadros do Ministério da Educação e Ciência (MEC) 1471 docentes, dos quais 753 através da chamada norma-travão.

As listas foram publicadas hoje no site da Direção geral da Administração Escolar (DGAE) e dizem respeito aos resultados do Concurso Interno e Externo, que incluem as mudanças de escola, área geográfica ou grupo de recrutamento para os docentes de carreira, e a entrada nos quadros para profissionais até aqui contratados.

Os resultados, apresentados aos jornalistas pelo secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, indicam que dos 32 914 professores do quadro que queriam mudar a sua vinculação, apenas um terço acabou por conseguir o lugar procurado. Destes 10 359, 6177 mudaram de escola, 1755 mudaram do Quadro de Zona Pedagógica (QZP, corresponde a área geográfica) para o quadro de escola e 2427 conseguiram mudar de QZP. "Registaram-se ainda 853 trocas de grupo de recrutamento, algumas em simultâneo com as mobilidades já referidas", acrescenta o MEC em comunicado.

A introdução do ensino de inglês no 1.º ciclo, permitiu também a mobilidade de docentes do quadro para este grupo de recrutamento. Neste concurso ficaram assim ocupadas 37 das 93 vagas previstas para esta disciplina que vai começar em setembro para os alunos do 3.º ano de escolaridade (e no ano letivo 2016/2017 será alargada ao 4.º ano). Os candidatos que ocuparam estas vagas são docentes da disciplina noutros anos de escolaridade que fizeram formação para obter equivalência a este grupo de recrutamento.

Em relação às entradas nos quadros, 1741 docentes conseguiram agora chegar aos QZP, entre 33 506 candidatos. Das entradas fazem parte 753 que completaram agora o quinto contrato anual, completo e sucessivo ao serviço do ministério e que pela criação da norma-travão, imposta pela Comissão Europeia, passaram a ter direito aos quadros. Recorde-se, no entanto, que este número era ligeiramente superior. Ao todo, 863 docentes estavam em condições de entrar diretamente, mas "esses não se devem ter candidatado", justificou o secretário de Estado. João Casanova de Almeida fez questão de sublinhar aos jornalistas que as vagas deste concurso externo (1453 inicialmente) foram decididas para "acomodar estes professores que automaticamente teriam direito a um lugar, mas também outros". E garantiu: "Todos os que tinham cinco anos de contratos e concorreram, entraram".

Existiram ainda 18 recursos hierárquicos que deram lugar a outras tantas entradas na carreira. Todos estes relacionados com a contagem dos contratos para integrar a norma-travão. Os restantes 718 lugares no quadro foram preenchidos pelos professores que concorreram em segunda prioridade, de acordo com a sua graduação profissional (que junta os anos de serviço, a nota final de curso e a avaliação de desempenho). João Casanova de Almeida aproveitou para lembrar que este governo já permitiu a entrada nos quadros de 4197 docentes, a contar com este concurso.

O governante deixou também claro que "toda a calendarização para a preparação do próximo ano letivo está a ser cumprida", garantindo que este ano não haverá atrasos na colocação de professores e consequentemente no arranque das aulas. Espera-se que no final de agosto - como em anos anteriores, à exceção do ano passado - os professores com contrato anual saibam em que escola foram colocados.

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