"Devia ser proibido um Governo minoritário"

O antigo líder social-democrata Marques Mendes defendeu na sexta-feira à noite, no Porto, que um Governo sem maioria é um crime, dada a instabilidade que provoca.

"Devia ser proibido um Governo que não tivesse maioria porque isso é um crime político, como está à vista de todos", salientou Luís Marques Mendes, à margem da apresentação do seu livro "O Estado em que Estamos", no qual defende precisamente essa ideia.

Para o social-democrata, um governo sem maioria, seja só de um partido ou de coligação, leva o país a "sofrer as consequências", como a "instabilidade permanente", que provoca, por exemplo, falta de investimento.

"Um governo minoritário também não governa e este governo só fez duas coisas até hoje: orçamento e o PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento]. O orçamento, porque a lei obriga a ser feito um orçamento e o PEC, porque Bruxelas impõe que seja feito", criticou.

Por isso, e admitindo a "crueldade e dureza" nas palavras, afirmou reiteradamente que "em Portugal devia ser proibido um Governo minoritário porque não governa, não dá estabilidade e não dá confiança".

Uma segunda ideia apresentada na obra de Marques Mendes é a de que "o país precisa de ter um Presidente da República mais activo, mais interventivo, capaz de corrigir erros que vão surgindo e, sobretudo, definir uma linha de rumo".

Para Marques Mendes, Portugal está, neste momento, "numa nova campanha eleitoral", que "será longa", e a pensar "em eleições legislativas antecipadas", que acredita irão acontecer. "E vamos ter uma campanha eleitoral longa, o que é desastroso para o país. Eu acho que um dia mais tarde deve haver eleições, mas de uma forma rápida", frisou.

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