Universidades contam com três reitoras pela primeira vez na história

Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação, eleita no ISCTE. Junta-se a Isabel Gil (Católica) e Ana Costa Freitas (Évora)

A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues foi ontem eleita reitora do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, com 22 votos do conselho geral. Mais do dobro da votação alcançada pelo segundo classificado, o até agora vice-reitor Nuno Guimarães, que contabilizou dez votos. A eleição significa que, pela primeira vez na história, o ensino superior português passará a contar com três mulheres à frente de universidades, com Ana Costa Freitas (Universidade de Évora) e Isabel Capelôa Gil a serem as outras duas reitoras.

Em declarações ao DN, pouco depois de ter recebido a confirmação da sua eleição, Maria de Lurdes Rodrigues começou precisamente por destacar o significado da sua escolha - além de Nuno Guimarães teve como opositores Gustavo Cardoso e o brasileiro Cláudio Starec - para a questão da afirmação das mulheres em lugares de topo. "Estou muito contente, porque é uma oportunidade, desde logo, para a paridade de género", disse. "É a primeira vez que uma mulher é eleita para este cargo no ISCTE".

A ex-ministra da Educação, sucessora de Luís Reto - que conduziu o ISCTE até à afirmação como universidade e também ao regime fundacional - considerou também ter sido escolhida por ter apresentado uma proposta de renovação profunda desta instituição. "É a democracia e a alternância a funcionar e a expressão de um desejo de mudança ao qual eu espero ter condições para continuar a dar sequência", considerou. "Existia uma vontade de mudar ao fim de um ciclo de doze anos de governação do ISCTE pela mesma equipa".

Percurso com sobressaltos

Além de ministra da Educação, entre 2005 e 2009, tendo abandonado o cargo na sequência do desgaste causado pelas frequentes tensões com os sindicatos de professores, Maria de Lurdes Rodrigues foi presidente do Conselho de Administração da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), de 2010 a 2013, acabando por regressar ao ISCTE, onde se doutorou em Sociologia e fez carreira como académica e investigadora, sendo atualmente professora associada com agregação.

Pelo meio, enfrentou um processo em tribunal sob a acusação de prevaricação por titular de cargo político, num caso relacionado com a adjudicação ao advogado João Pedroso, quando era ministra, da recolha e organização de toda a legislação emanada do Ministério. Chegou a ser condenada, em setembro de 2014, a três anos e seis meses de prisão, com pena suspensa. Mas recorreu para a Relação, que a absolveu no final de 2015, considerando não ter havido "dolo" nem favorecimento na contratação do jurista, que também viu a sua condenação em primeira instância ser anulada.

Mais recentemente, em 2017, a ex-ministra foi notícia por ter recebido a classificação de "inadequado" na sua avaliação de desempenho do ISCTE relativa a 2014-16, por não ter preenchido a plataforma de informação do instituto com os dados relativos à sua atividade nesse período. Depois de ter inicialmente criticado a burocracia associada a esta plataforma, Lurdes Rodrigues acabou por justificar mais tarde não ter preenchido a informação devido a questões de saúde, que seriam do conhecimento da direção do ISCTE.

Um caso que não deixou de ter alguma ironia. Em primeiro lugar porque o modelo de avaliação do desempenho dos professores que tentou implementar enquanto ministra foi precisamente o principal motivo para a contestação que enfrentou dos sindicatos. E, em segundo, porque menos de um ano depois deste incidente, prepara-se para liderar o ISCTE, num mandato que se estenderá até 2022.

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