"Desrespeito parlamentar": PCP critica PS e BE por anunciarem projetos

Comunistas dizem que vão continuar reflexão sobre morte assistida mas a seu tempo. E o tempo não era hoje, disse líder parlamentar

Sem abrir o jogo sobre o que pensa o PCP, o líder parlamentar comunista, João Oliveira, atacou os seus parceiros parlamentares por terem anunciado iniciativas legislativas sobre a eutanásia em cima das jornadas parlamentares do partido, quebrando uma tradição.

"É conhecida a posição geral que o PCP tem vindo a referir relativamente à reflexão que essa matéria exige. Relativamente a iniciativas que outros grupos parlamentares entenderam tomar a coincidir com jornadas parlamentares do PCP, em desrespeito por uma prática que existe, não vou fazer mais nenhuma consideração", disse, agastado, João Oliveira - recusando-se a alimentar mais questões dos jornalistas sobre o tema.

É da prática não escrita da Assembleia da República: em cima de jornadas parlamentares de um partido, os outros limitam a agenda a quase nada e reservam o anúncio de iniciativas legislativas para outras calendas. Não foi o caso hoje com as propostas sobre a eutanásia. Primeiro, pela manhã, o BE anunciou que ia entregar a sua proposta (que já tinha apresentado publicamente no sábado) e, depois, o líder parlamentar socialista, Carlos César, também anunciou que o PS faria o mesmo.

Sobre estas matérias, a seu tempo. E o tempo não é de hoje, fez questão de vincar o líder parlamentar comunista. "Continuaremos a refletir sobre essa matéria e tomaremos posição no momento próprio", afirmou João Oliveira, no encerramento das jornadas parlamentares, que decorreram ontem e hoje em Portalegre.

Já a notícia do BE caiu durante a manhã, quando uma comitiva comunista visitava o Hospital de Portalegre. Nessa altura, João Oliveira preferiu sublinhar a importância dos cuidados paliativos, cujo serviço tinha visitado momentos antes. "Não deixo de registar que tivemos a oportunidade de visitar aqui uma unidade de cuidados paliativos, com um reconhecimento por parte dos próprios profissionais à vantagem que há nos cuidados de saúde e ao caminho a percorrer ainda", apontou na altura João Oliveira.

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