Deputado Renato Sampaio recusa "chantagens" e "canalhices" sobre casa arrendada

Socialista nega ter sido despejado da casa onde viveu "durante 44 anos"

O deputado socialista Renato Sampaio, também presidente da concelhia do PS/Porto, nega ter sido despejado da casa onde viveu "durante 44 anos" e recusa aceitar o que diz ser "chantagens" ou deixar-se "condicionar por canalhices".

"Sei bem as origens das publicações, quem as alimenta e cavalga e as suas motivações. Mas devo deixar bem claro que a minha participação politica e cívica, os tempos e modo como a exerço, só dependem de mim próprio e não aceito chantagens. Jamais me deixarei condicionar por canalhices. Estarei sempre na defesa daquilo em que acredito, das minhas convicções e valores que sempre pautaram a minha vida", escreve o socialista, num "esclarecimento público" publicado pelas 13:30 na sua página da rede social Facebook, a propósito da divulgação de imagens de degradação da casa que habitou, no Porto.

Renato Sampaio diz ainda que "a mudança de casa foi uma opção exclusivamente" sua, que as rendas "estão todas liquidadas" e que fez obras na casa, com "exceção" das que "implicavam intervenção noutras habitações ou no exterior do edifício, da exclusiva responsabilidade da ex-senhoria.

"Já dei indicações aos meus advogados no sentido de intentarem de imediato uma ação crime contra todos os envolvidos. Não me pronunciarei mais sobre este caso que a minha ex-senhoria tentou criar a não ser nos tribunais", acrescentou o deputado na rede social.

A agência Lusa contactou Renato Sampaio, que remeteu quaisquer esclarecimentos para esta sua publicação na rede social Facebook.

Na segunda-feira, o Jornal Económico tornou pública uma publicação em que a ex-senhoria de Renato Sampaio acusa o deputado de não pagar com regularidade a renda da casa que arrendou há 44 anos e de a entregar com sinais visíveis de degradação, tendo divulgado alegadas imagens da mesma.

"Em relação ao estado de degradação da habitação, devo dizer que, durante os 44 anos em que nela habitei, fui realizando obras de manutenção e até remodelação, nas áreas em que me era permitido", esclarece Renato Sampaio.

Segundo o deputado, "exceção foram aquelas [obras] impossíveis de eu realizar, uma vez que implicavam intervenção noutras habitações ou no exterior do edifício, como por exemplo as infiltrações nos tetos e nas paredes, da exclusiva responsabilidade da ex-senhoria".

Quanto às rendas, o presidente da concelhia do PS/Porto diz que "estão todas liquidadas, bastando para o provar os recibos entregues pela ex-senhoria na Autoridade Tributária e Aduaneira até 31 de dezembro de 2017". Ou, acrescenta o socialista, "os comprovativos das transferências bancárias" efetuadas até "à saída" daquela residência.

O deputado relata também que, no início deste ano, "existiu por parte da ex-senhoria a procura de alterar o contrato de arrendamento".

Renato Sampaio diz ter-se oposto à alteração, "através da advogada", notando que "até hoje" não obteve "qualquer resposta, quer da senhoria quer da advogada".

"A mudança de casa foi uma opção exclusivamente minha, e só minha, motivada por razões pessoais de uma melhor comodidade e habitabilidade para mim e para a minha família", acrescentou.

De acordo com a edição de hoje do jornal Público, o deputado, "que se tornou notícia por ser alvo de uma ação de despejo por irregularidades no pagamento da renda da sua casa no Porto, não afasta a possibilidade de abandonar a vida política definitivamente, no final do mandato".

O diário refere ainda que Sampaio interveio, na semana passada, no Parlamento, "num debate sobre rendas e reabilitação urbana", facto que "levou um dirigente nacional dos socialistas a perguntar: «Qual é a legitimidade de Renato Sampaio para falar em nome do PS sobre habitação, quando é acusado de não pagar uma renda de 180 euros mensais?»".

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