Demissão de Manuel Pinho marca Estado da Nação

José Sócrates foi ontem obrigado a demitir o seu sempre polémico ministro da Economia, Manuel Pinho, e pela pior das razões. Este decidiu fazer o gesto de uns cornos em resposta a um aparte parlamentar do PCP e a imagem correu rapidamente na Internet precipitando a demissão numa altura em que o PS e o primeiro-ministro estão fragilizados no pós-europeias

"Em nome do Governo peço desculpa ao Parlamento" assumiu ontem José Sócrates no final do debate do Estado da Nação depois de considerar "injustificável o facto  do ministro da Economia, Manuel Pinho, ter feito no plenário  o gesto  de uns cornos respondendo dessa forma a um à parte do líder parlamentar do PCP sobre as minas de Aljustrel.  Escassos minutos após o pedido de desculpas formais o primeiro-ministro dizia aos jornalistas que o aguardavam nos Passos Perdidos que tinha decidido durante o próprio debate substituir Manuel Pinho na pasta da Economia, passando esta a ser assumida pelo ministro de Estado e das Finanças até ao final da legislatura". O "filme" do incidente que levou à demissão de  Pinho começou quando nada o faria esperar, precisamente quando o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, questionava  Sócrates sobre a situação nas Minas de Aljustrel, unidade para a qual o titular da Economia e  Vital Moreira prometeram  a criação de emprego. Durante a intervenção de Louçã e num tradicional à parte parlamentar  Bernardino Soares,  do PCP,  lembrou ao ministro o episódio  deste ter ido a Aljustrel entregar ao clube de futebol local um cheque de cinco mil euros "passado" pela EDP.  Inexplicavelmente o verniz de  Pinho estalou com o ministro a evocar na arena política gestos próprio de outras arenas.

Bernardino Soares de imediato utiliza o telefone interno para junto do Ministro dos Assuntos Parlamentares,  a exigir um pedido de desculpas. Visivelmente perplexo Santos Silva senta-se ao lado de Manuel Pinho na bancada do Executivo e pouco depois  assumia aos jornalistas ter pedido em nome do Governo desculpas ao deputado comunista. "Agradeço a compreensão e a colaboração do líder parlamentar do PCP", adiantava Santos Silva  considerando a atitude de  Pinho  infeliz e injustificável.

Pouco depois, Manuel Pinho vem até aos Passos Perdidos e confrontado pelos jornalistas  reconhece que "se excedeu  e pede desculpas" justificando a sua atitude pelo facto de "o governo tentar safar empregos e estar a ouvir acusações da oposição". Questionado  sobre se tinha hipóteses de continuar no executivo   disse "não  existir qualquer razão para sair.  Pouco depois o ministro  regressou ao plenário  mas instantes depois foi chamado à sala de apoio ao governo.  Quando Manuel Pinho saiu dessa sala "escoltado" por Silva Pereira, ministro da Presidência e  Santos Silva para se dirigir às instalações do ministro dos Assuntos Parlamentares os rumores de que a demissão estava iminente avolumaram-se.  Meia hora depois os titulares  da presidência e dos Assuntos parlamentares regressaram ao hemiciclo. A cadeira de Pinho passou a ser ocupada pelo seu secretário de Estado Fernando Serrasqueiro.  A demissão estava consumada.   Horas depois, na SIC, dizia ter decidido demitir-se depois de ligar à mulher que tinha ficado "muito feliz". Saiu elogiando "o apoio" de  Sócrates e disse  ir para férias.

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